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Estado adianta obras previstas para 2035 devido a crise no abastecimento

Os projetos que podem ser antecipados constam do plano diretor de abastecimento de água da metrópole, feito em 2005 pela Sabesp e revisto a cada dez anos. Um deles é considerado prioritário pela cúpula da estatal.

Trata-se da construção de um conjunto de adutoras que poderá levar grandes volumes de água a regiões hoje atendidas pelo sistema Cantareira, o maior da Grande São Paulo e em situação crítica desde o ano passado.

Hoje, porém, com o nível de água disponível próximo ao fundo das represas, o Cantareira abastece 5,3 milhões. A água desse manancial, antes da atual crise hídrica, atendia a cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana, na zona norte e partes das zonas leste, oeste, central e sul da capital.

Esse diferença tem sido compensada com água de outros reservatórios, como Guarapiranga (na zona sul) e Alto Tietê (no extremo leste). Mas o alcance dessa integração segue bastante limitado. Por isso, a proposta de antecipar a construção de dois eixos de adutoras. Uma no sentido zona sul-centro.

Hoje, a Sabesp consegue enviar água do Guarapiranga até a região da avenida Paulista. Mas não tem condições de levá-la até o bairro de Santana, por exemplo. Com a construção de uma rede de adutoras entre o bairro da zona norte e a Paulista, o problema seria contornado.

Outra proposta é a criação de um eixo de adutoras no sentido leste-centro-norte. Assim, a empresa poderia enviar água do Itaim Paulista, na zona leste, até a Vila Medeiros, na zona norte.

Embora não sejam vistas como intervenções que possam contornar a atual crise, já que não podem ser feitas em dois anos, elas poderiam ser viabilizadas em cinco anos, a depender do ritmo dos estudos e da verba disponível para os projetos.

Os caminhos dessas adutoras ainda não estão definidos, mas os eixos principais devem reduzir a dependência de bairros da Grande São Paulo de um só reservatório.

O atual plano diretor de abastecimento da Grande São Paulo está em sua segunda revisão. Segundo engenheiros da Sabesp, as adaptações são feitas para corrigir distorções entre o que foi planejado e o cenário real.

“Você faz um planejamento a longo prazo com grande chance de errar e vai ajustando no curto prazo de acordo com a realidade”, disse o superintendente da região metropolitana da Sabesp, Marco Antonio Lopes Barros.

Ele afirma ainda que os dados disponíveis em 2005 não possibilitavam a previsão de um cenário tão drástico como a seca dos últimos anos. Segundo a empresa, a seca de 2013 e 2014 mudou os parâmetros do planejamento de obras e investimentos de longo prazo.

 
Fonte: Folha de S. Paulo

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