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Interligação começa com atraso

Com atraso de quase um ano, o Estado começa hoje a obra de interligação entre as represas de Jaguari, da bacia do rio Paraíba do Sul, e Atibainha, do Sistema Cantareira. A previsão inicial da Sabesp, responsável pelo projeto, era de começar o trabalho em maio e depois agosto de 2015. Problemas financeiros e burocráticos atrapalharam o início da construção.

Com isso, o prazo final passou de 2017 para outubro de 2018, tempo que o governo estadual tentará reduzir.

“O prazo contratual da obra toda é outubro de 2018. Vamos acelerar para terminar mais cedo”, disse o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga.

Ele acompanhará hoje o governador Geraldo Alckmin (PSDB) na solenidade de início das obras, em Nazaré Paulista, às 10h. O tucano comandará a máquina que abrirá o túnel de 6,2 quilômetros para a interligação.

ACORDO/ Criticada por ambientalistas na região e defendida por Alckmin, a obra permitirá à Sabesp tirar água da Jaguari e enviar ao Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo.

Acordo intermediado pelo Supremo Tribunal Federal entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, pelos quais passa o rio Paraíba, manteve a vazão máxima de retirada de água do Jaguari em 8,5 metros cúbicos por segundo para a transposição. O Estado diz que a vazão média será de 5,13 m³/s.

Orçada em R$ 830 milhões, a obra ficou mais barata (R$ 555 milhões) após a licitação, vencida pelo consórcio formado entre as empresas Serveng Civilsan, Engeform e PB Construções, com deságio de 33%.

A construção será feita em duas etapas. A transferência de água no sentido Jaguari-Atibainha estará pronta no primeiro semestre de 2017. No lado contrário, água vindo para Jaguari, só até o final do prazo, em outubro de 2018, o que também mereceu críticas no Vale

Braga disse que a RMVale não será prejudicada com a interligação.

“O que estamos fazendo é criar um grande reservatório que inclui Jaguari no Cantareira. É um sistema único que serve a todo mundo. Não é correta essa crítica. Vai poder ajudar quando Jaguari precisar. É um sistema”, afirmou.

Especialistas temem impacto

O principal questionamento no Vale do Paraíba sobre a obra de interligação entre as represas de Jaguari e Atibainha é quanto aos impactos que essa retirada terá na bacia do rio Paraíba do Sul, da qual Jaguari faz parte.

“Qualquer quantidade de água que se retire de um reservatório tem impacto. Até agora não estão claros quais serão os impactos”, disse o geólogo Edilson Andrade, especialista em recursos hídricos.

“São Paulo está indo buscar água cada vez mais longe por não resolver os problemas internos, como o desperdício e a falta de tratamento dos rios, como o Tietê”, afirmou Juarez Vasconcelos, secretário de Meio Ambiente de Igaratá.

Hoje, o governo estadual dá largada na obra para efetivar a interligação entre os reservatórios, com prazo de conclusão até outubro de 2018.

Fonte: Gazeta de Taubaté
Foto: Cláudio Vieira/Arquivo

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