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Lucro da Sabesp mais do que dobra e perdas de água aumentam

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) fechou o segundo trimestre deste ano com um lucro 136,4% maior do que o mesmo período do ano passado. O resultado teve influência direta do fim das políticas de bônus por economia e multa por aumento no gasto de água, encerrados em abril. Ao mesmo tempo, com aumento do consumo de água pela população, aumentou também o desperdício da Sabesp, em vazamentos na rede de tubulações. No período, em 2016, registrou-se perdas de 30,7%, contra 28,5% em 2015.

Segundo balanço divulgado na última sexta-feira (12), a receita da Sabesp nos meses de abril, maio e junho de 2016 foi de R$ 3,4 bilhões, com aumento de 21,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o lucro líquido da companhia foi de R$ 797,5 milhões, no segundo trimestre de 2016, contra R$ 337,3 milhões, em 2015. Em 2014, ano de deflagração da crise hídrica, o lucro líquido foi de R$ 903 milhões.

Apesar de ainda estar sob efeito da pior seca da história de São Paulo, esse montante não será investido, necessariamente, em melhorias na distribuição de água. Nem na redução dos 30,7% de água perdidos em vazamentos, o que consome bilhões de litros de água tratada mensalmente. Pelo menos R$ 200 milhões (25%) do lucro líquido devem ser distribuídos aos acionistas da companhia, na Bolsa de Valores de Nova York, conforme determina o estatuto social da estatal, desde a abertura do capital, em 1994.

Porém, 25% é o mínimo obrigatório. Não existe teto para a distribuição dos dividendos. Em 2011, por exemplo, a empresa distribuiu 43,9% do lucro aos acionistas. Nos dois anos seguintes, a média ficou em 27,9%. Em 2014 e 2015, foram mantidos os 25%.

No período, o lucro da Sabesp foi influenciado por vários fatores. O fim do bônus, que concedia descontos de até 30% na conta para quem economizasse água, teve consequência significativa. No segundo trimestre de 2015, foram concedidos R$ 231 milhões em descontos. No mesmo período deste ano, foram R$ 33,6 milhões, remanescentes dos meses anteriores.

Também houve três reajustes tarifários, dois regulares e um extraordinário, entre junho do ano passado e junho deste ano, nos valores de 7,8%, 6,9% (extraordinário) e 8,4%, que levaram a tarifa de consumo residencial normal – somando água e esgoto – de R$ 33,64 para R$ 44,76. Por fim, houve o aumento de 5,4% no volume total de água faturado, sendo 4,7% em fornecimento de água e 6,3% em coleta de esgoto. Esse aumento consiste em maior retirada de água dos reservatórios.

Fonte: Carta Maior

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