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MG: Indústria teme crise no setor

O agravamento da crise hídrica em Belo Horizonte e região metropolitana, anunciado nesta semana pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), coloca sobre o cidadão a missão de reduzir em até 30% o uso de água. Mas o que se gasta em casa nas torneiras e chuveiros representa apenas de 10% a 15% do total consumido. A maior parte é captada pela agricultura e produção animal (70%), seguida de indústria e mineração (de 15% a 20%). Esses setores, ainda pouco citados nas ações de racionamento, também devem ser afetadas com a escassez, segundo especialistas.

As primeiras a sentirem os impactos são as indústrias localizadas em polos dentro de áreas urbanas, como em Contagem, na região metropolitana, e Sete Lagoas, na Central. Segundo o presidente do Conselho de Políticas Econômica e Industrial da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes, essas empresas utilizam água da Copasa e, portanto, são atingidas por cortes e possível racionamento. “As indústrias estão preocupadas, principalmente as pequenas e médias. Uma crise no setor é prejudicial para a empresa, o funcionário, a economia e o cidadão comum”, afirmou Fernandes.

Outorgas Minas Gerais tem 64.411 indústrias, sendo 1.777 mineradoras. A produção agrícola e animal também é forte no Estado. Quando empresas ou agricultores precisam de grande quantidade de água para a produção, é necessário obter, junto ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), outorga para a captação de recursos hídricos. O Igam não informou quantas concessões existem atualmente. A Agência Nacional de Águas (ANA) – que delega ao Igam a concessão de licenças também de rios federais – informou que “até o momento não há discussão sobre regras de restrição para Minas”.

A exceção, segundo o órgão, foi a resolução publicada anteontem no “Diário Oficial da União” (DOU), estabelecendo que, quando as bacias dos rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia atingirem vazão baixa, indústrias e agricultores devem captar 30% menos de água. “Acredito que a ANA vai rever outorgas. Não é fácil, vai contrariar muitos interesses econômicos, mas isso precisa ser feito rapidamente”, declarou Ricardo Motta Pinto Coelho, professor do Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Entenda

A Agência Nacional de Águas (ANA) estabeleceu regras de uso do recurso nos rios Camanducaia, Jaguari, Atibaia, Cachoeira, Atibainha e afluentes, o que reflete em cidades mineiras, como Extrema e Camanducaia, no Sul do Estado. Sempre que os rios atingirem vazão muita baixa (cada rio tem um nível mínimo), fica decretado estado de alerta (não restringe o uso da água, mas alerta) ou de restrição (empresas de saneamento captam 20% menos e indústrias e agricultores, 30%).

Fonte:
http://www.otempo.com.br/capa/economia/ind%C3%BAstria-teme-crise-no-setor-1.978837

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