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Moradores de Mauá são abastecidos por caminhões-pipa e com água da chuva

Os baldes espalhados pelo quintal da casa de Bernadete Nini (56 anos) armazenam a água da chuva para ser usada na descarga dos banheiros ou na limpeza do chão. Não se trata, no entanto, de uma medida de economia de água, mas de uma estratégia que a funcionária pública usa para contornar os problemas no abastecimento. “A água vem por volta das 3h ou 3h30, mas com uma pressão muito baixa, não dá nem para encher a caixa”, conta a moradora do Jardim Zaíra 2, em Mauá, na região do Grande ABC.

Depois de muitas reclamações à Secretaria de Saneamento Básico do Município de Mauá (Sama), Bernadete e outros vizinhos foram abastecidos na última quarta-feira (9) por um caminhão-pipa, dois dias depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ter anunciado o fim da crise hídrica no estado. Em Mauá, apesar de a distribuição ser responsabilidade da prefeitura, toda a água para os 453 mil moradores da cidade é fornecida pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A Sama afirma que a quantidade de água enviada pela Sabesp é insuficiente para garantir o abastecimento do município. Segundo a secretaria, o volume é inferior ao que era oferecido até 2013, antes da crise hídrica. Bernardete diz que no bairro o problema se agravou nos últimos meses. “Antes, subia até a caixa e a gente administrava”.

Para tomar banho, a vizinha de Bernardete, a professora Anita Bezerra (49 anos) diz que muitas vezes tem de recorrer ao chuveiro do pai. “Aqui em casa, o que tá quebrando o galho é meu pai, que mora na avenida. Lá é mais baixo, não falta água. Para tomar banho, lavar o cabelo, a gente vai lá”.

“A gente sempre morou aqui, nunca teve esse problema”, comentou o gerente de bar Rodrigo Pasianiat (32 anos) sobre os transtornos trazidos pela crise hídrica. Na casa dele, a família comprou uma bomba para tentar abastecer as caixas d’água durante a madrugada. Porém, o investimento foi perdido, o equipamento acabou queimando por ficar muito tempo ligado quando havia apenas ar para bombear.

Lavar roupa de madrugada

A higiene pessoal também é um problema na casa do motorista Maurício Escarabello, morador do Jardim Santa Lídia. “Banho é reduzido: ou à noite, ou de dia. Dois banhos, acaba a água”, afirmou sobre a mudança de rotina em sua residência, onde vivem seis pessoas. Mesmo com duas caixas d’água, Maurício diz que sofre com os problemas de abastecimento. “A água é gotejada, não tem pressão”, lembrou, sobre as dificuldades para encher os reservatórios que mantêm a casa abastecida ao longo do dia.

Contando apenas como uma caixa d’água pequena, a atendente Valquíria Santos (40 anos) é outra moradora do Jardim Santa Lídia que teve de mudar de hábitos. “Se todo mundo usar [a água da caixa] para tomar banho, não dá. Para lavar roupa, tem que madrugar”.

Em nota, a Sabesp informou que, “com o fim da crise hídrica, a companhia tem ampliado gradativamente o envio de água para todos os clientes”. Em Mauá, a estatal disse que ampliou o volume fornecido de 950 litros por segundo (l/s) para 980 l/s, água que, de acordo com a companhia, é suficiente para atender à população do município.

Fonte: EBC
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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