saneamento basico

Operação Lava-Jato prejudica venda de parte da CAB Ambiental

Grupo Galvão detém a concessão do saneamento em Cuiabá; Operação Lava-Jato adia negócio

Reportagem do jornal Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira (8), revela que o grupo Galvão, um dos maiores do setor de infraestrutura do Brasil, planeja a venda de uma participação da CAB Ambiental, o seu braço na área do saneamento.

A CAB é a gestora de concessões e parcerias público-privadas de serviços de água e esgoto em cinco estados – entre eles, Mato Grosso. A CAB Cuiabá detém o serviço de concessão do saneamento básico na capital mato-grossense.

Segundo o jornal, a transação é um dos dois negócios importantes para o setor de saneamento, previstos para serem concluídos no fim de 2014 e que foram interrompidos – ou ao menos adiados -, após grupos controladores das empresas envolvidas terem sido citados nas investigações da Operação Lava-Jato, que investiga desvio de dinheiro da Petrobras.

A GP Investiments estaria disposta a comprar uma participação de 38% da CAB Ambiental por R$ 300 milhões.

O grupo Galvão baixaria a participação de 66,58% para 38%. A BNDESPar, hoje com 33%, seria diluída para 24%.

O grupo enfrenta problema de liquidez e uma das saídas seria se desfazer de parte da empresa de saneamento.

Confira abaixo a íntegra da reportagem do Valor Econômico:

Operação Lava-Jato dificulta negócios em saneamento

OLÍVIA ALONSO E FÁBIO APUPO

“Dois negócios importantes para o setor de saneamento, previstos para serem concluídos no fim do ano passado, acabaram sendo interrompidos ou ao menos adiados após grupos controladores das empresas envolvidas terem sido citados nas investigações da Operação Lava-Jato.

Um deles, que estava em fase avançada no início de novembro, é a venda de uma participação da CAB Ambiental (do grupo Galvão) para a GP Investments.

Conforme publicou ontem à tarde o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, a “due dilligence” (auditoria sobre a empresa a ser adquirida) já estava concluída e faltava pouco para que os contratos fossem assinados. Mas, assim que a operação foi deflagrada, a gestora de recursos optou por colocar o pé no freio e aguardar o avanço das investigações.

A GP estaria disposta a comprar uma participação de 38% da CAB Ambiental por R$ 300 milhões, conforme noticiou o Valor PRO em 21 de outubro. O grupo Galvão baixaria a participação de 66,58% para 38%. A BNDESPar, hoje com 33%, seria diluída para 24%.

Agora, uma das novas possibilidades de desfecho das negociações seria a venda de uma fatia maior da CAB para o GP.

Uma fonte do setor afirma que o grupo Galvão pretende manter participação na área de saneamento ambiental, já que há perspectivas de bom crescimento de Ebitda nos próximos anos.

Segundo fontes do setor, as negociações seguem em curso, acompanhando o andamento das investigações – ainda que os negócios da CAB Ambiental não tenham relação com a Galvão Engenharia, construtora do grupo que contrata com a Petrobras.

A demora para a conclusão do negócio ocorre justamente no momento em que o grupo Galvão está pressionado, em grande parte, pela falta de pagamentos da Petrobras à construtora da holding. Nesse caso, os créditos em discussão com a estatal somam R$ 830 milhões.

Boa parte do montante pleiteado está relacionada à obra de construção e montagem da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS).

Com atuais 82% de conclusão, a obra foi tocada nos últimos meses de trabalho com capital próprio dos grupos Galvão e Sinopec – parceiro chinês na empreitada. Com a Lava-Jato, a possibilidade de um avanço nas negociações pelos pagamentos da estatal às empresas diminuíram. Depois que as construtoras decidiram suspender os trabalhos, no segundo semestre do ano passado, a Petrobras rescindiu o contrato.

Segundo a agência de classificação de risco Fitch, o grupo tinha, no meio do ano, baixa cobertura de dívida de curto prazo – com caixa de R$ 272 milhões, o que cobriria 32% de sua dívida de curto prazo de R$ 847 milhões.

Para a agência, uma melhora na liquidez do grupo está mais incerta. Ainda há uma reserva que pode ser usada como apoio de capital às subsidiárias. O valor é de R$ 160 milhões, mantida pelos acionistas do grupo (são três grupos, sendo que o dos irmãos Galvão é controlador).

Ainda no ano passado, foi decidido que o grupo não distribuirá dividendos nos próximos três a cinco anos, com objetivo de criar mais reserva de caixa.

A CAB Ambiental tem 18 operações, sendo 14 concessões municipais, duas parcerias público-privadas (PPP) e duas PPPs regionais e contratos firmados que somam R$ 18,5 bilhões.

O presidente da CAB, Mário Galvão, é irmão de Dario de Queiroz Galvão Filho e Eduardo de Queiroz Galvão – que foram denunciados na Lava-Jato.

No caso da Galvão Engenharia, um dos diretores, Erton Medeiros, confessou durante os depoimentos à Polícia Federal “ter pago valores indevidos” ao doleiro Alberto Youssef por contratos de consultoria.

Por meio da assessoria de imprensa, a CAB Ambiental informou que é uma empresa independente dentro do grupo Galvão e que não pode comentar o assunto por estar em período de silêncio.

Outro negócio sem conclusão foi a venda de uma fatia da Odebrecht Ambiental para a gestora americana de fundos private equity Blackstone. A empresa chegou a conversar com outros investidores, mas acabou o ano sem nenhum movimento.

Segundo uma fonte, foi avaliada a possibilidade de uma separação de sua divisão de água e esgoto, que seria alvo de aquisição parcial do fundo. Ao mesmo tempo, a companhia também vinha avaliando uma abertura de capital na bolsa de valores.

A Odebrecht Ambiental registrou R$ 1,9 bilhão em faturamento (ao fim de 2013) e alcançou R$ 153 milhões de lucro líquido. A empresa é dividida em três áreas de negócio: água e esgoto, resíduos e utilities (que inclui água de reúso, tratamento de efluentes e monitoramento do ar). Na área de água e esgoto, atua em mais de 170 municípios – entre eles estão o Rio de Janeiro e o Recife.

Para a Fitch, conforme último relatório elaborado no ano passado, a companhia tem como desafio retomar o processo de desalavancagem a partir de 2016, com a evolução da geração de caixa de ativos recém-adquiridos, “atenuando as pressões em sua estrutura de capital”. Segundo o relatório, novos aportes poderiam mitigar as pressões na classificação da companhia.

Blackstone, Odebrecht Ambiental, GP Investments e Galvão não se pronunciaram”.

Fonte: Mídia News
Foto: Redação/Mídia News

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