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Para evitar privatização, Cedae se ajusta à crise

Com o principal acionista, o Estado do Rio de Janeiro, vivendo a maior crise econômica dos últimos anos, o presidente da Cedae, Jorge Briard, está preparando a empresa para uma oferta pública de ações (IPO). Não há nenhuma decisão tomada nesse sentido, garante, mas funcionário de carreira há 32 anos, ele sabe que a defesa da privatização cresce sempre que falta dinheiro. O objetivo é tornar a empresa boa pagadora de dividendo e até abrir uma oportunidade de captação de recursos, mas sem tirar do Estado a capacidade de fazer política de saúde preventiva. “Queremos gerar mais Ebitda, distribuir mais dividendos e aumentar o valor de mercado”, diz.

Para isso, o presidente dedicou seu primeiro ano de gestão para reestruturar as finanças da empresa. Em paralelo, iniciou um dos maiores projeto de infraestrutura em andamento no país, a distribuição de água na Baixada Fluminense, que fará com que a empresa dobre de tamanho. Também fez os primeiros estudos para a concessão, por meio de Parceria Público-Privada (PPP), do saneamento em comunidades do Rio de Janeiro, com a Cedae mantendo o fornecimento de água.

Briard conta que teve de focar nos gargalos que geravam maiores perdas na empresa: as áreas jurídicas e de recursos humanos. Além disso, avançou na gestão, com a repactuação de contratos e a implantação de um programa de metas por atividade e região. O resultado de 2015 ainda não saiu, mas até o terceiro trimestre lucrou R$ 240 milhões, 29,13% menos do que em 2014.

Com a mudança na estratégia de gestão dos passivos jurídicos na área trabalhista e cívil e na área de recursos humanos, a empresa economizou R$ 400 milhões em 2015 e espera economizar outros R$ 300 milhões este ano. Apenas com acordos trabalhistas, o que não era possível antes da reestruturação ser efetivada, conseguiu evitar a perda de R$ 102 milhões no segundo semestre.

Com a mudança na estratégia de gestão dos passivos jurídicos na área trabalhista e cívil e na área de recursos humanos, a empresa economizou R$ 400 milhões em 2015 e espera economizar outros R$ 300 milhões este ano. Apenas com acordos trabalhistas, o que não era possível antes da reestruturação ser efetivada, conseguiu evitar a perda de R$ 102 milhões no segundo semestre.

Cerca de 850 dos 6 mil empregados deixaram a empresa em um programa de demissão voluntária. O plano vai permitir que a empresa possa terceirizar as áreas de apoio, com uma economia de R$ 200 milhões ao ano. Só a demissão de motoristas e a contratação de uma empresa terceirizada pela tabela de preços da Secretaria de Planejamento (Seplag) do Estado, gerará uma economia de R$ 4 milhões. “Aumentamos em 14% o número de veículos com 16% de redução no custo, e ainda tivemos essa economia”, diz Briard, lembrando que a frota é essencial para melhorar o atendimento. “Queremos terminar 2016 com prazo de 24 horas para atendimento. Hoje, levamos 72 horas em média”, completa o presidente.

Outros 500 profissionais serão contratados por concurso público no primeiro semestre para reduzir as horas extras que hoje representam 20% da folha de pagamentos. “Os novos contratados vão custar R$ 32 milhões, mas vamos economizar R$ 50 milhões em horas extras”, diz o diretor financeiro.

De acordo com Briard, a Cedae vai trabalhar em 2016 com orçamento de custeio 15% menor que o de 2015. E também vai pagar dividendos ao Estado este ano, como já fez no ano passado. Em 2015, foram cerca de R$ 109 milhões. “Foi a primeira vez na história que a Cedae pagou dividendos. Antes, qualquer resultado positivo era capitalizado na empresa. Não saía um centavo da empresa”, afirma o diretor financeiro, explicando que este ano será menos porque o resultado também diminuiu.

“Na hora que falta o dinheiro dos royalties, tudo o que está vinculado ao Estado é afetado. Somos a única empresa de grande porte, com receita, do Estado”, completa o executivo.

Fonte:Valor
Foto: Valor

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