saneamento basico

Seminário define retomada da remunicipalização em Cuiabá

A água como um direito humano fundamental que não pode ser mercadoria norteou o debate no SEMINÁRIO: ÁGUA PARA QUEM?, que foi realizado, na última quinta-feira, dia 05 de novembro de 2015, às 19h na sede da ADUFMAT/UFMT, o evento foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso (CUT/MT), O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de Mato Grosso (SINTAESA – MT) e a Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT) com apoio da Juventude Revolução.

Como expositores participaram: o presidente do Sintaesa-MT, Ideueno Fernandes de Souza, o médico sanitarista e ex-vereador de Cuiabá, Lúdio Cabral e o sociólogo, coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA) e assessor de saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU/CUT), Edson Aparecido da Silva.

O presidente do Sintaesa-MT fez um histórico do processo de a privatização da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), destacando a luta do Sindicato, dos movimentos sociais e do Lúdio Cabral, vereador em 2011, que foi contra aprovação da Lei autorizando a concessão dos serviços de saneamento à iniciativa privada. “O processo de privatização foi rápido e a concessão para a Empresa CAB Ambiental foi sem feito a existência de estudo comprovando a viabilidade técnica e econômico-financeira da prestação universal e integral dos serviços”,
“O discurso político usado, na época, foi muito forte, falavam em investir para universalização do sistema de água em 3 anos; em esgoto para universalização em 8 anos; quitação das dívidas da Sanecap R$ 220 milhões e pagamento de outorga de 120 milhões para investimento em infraestrutura (poeira zero)”, afirmou.

“Com a privatização foi um grande desastre para Cuiabá, Com a privatização o munícipio perdeu cerca de 500 milhões de investimento a fundo perdido pelo PAC I e PAC II. Até hoje, a Sanecap não foi extinta ficando para o município dívida de aproximadamente 220 milhões de reais. E, as metas, previstas na Lei, nos serviços de água esgoto não foram alcançadas pela Cab”, completou.

Para Ideueno Fernades o abastecimento de água e o saneamento são concessões públicas e responsabilidades do poder público municipal. “Porém, a gestão municipal de Cuiabá fez a opção de compreender este direito como uma mercadoria e realizou a concessão dos serviços de abastecimento de água e saneamento para iniciativa privada através de uma licitação cheia de vícios. Agora, com o Leilão, também, a única preocupação é regulamentar a troca de concessionária, novamente sem a existência de estudo que comprove a viabilidade técnica e econômico-financeira da prestação universal e integral dos serviços”, criticou o presidente do Sintaesa-MT.

O Assessor da FNU, explicou que a Federação não concorda com esses modelos de gestão e que os municípios brasileiros estão na contramão da tendência mundial. E citou algumas experiências de remunicipalização que estão acontecendo em outros países, como na França e Argentina, que mostram que esse processo de privatização teve que ser revertido, diante da grande mobilização da sociedade, que percebeu a deterioração do serviço.

Ele também citou o relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento – UNCTAD (2004), que mostra que a decisão de transferência dos serviços à iniciativa privada deveria considerar: a renda das populações envolvidas; os custos de investimentos necessários; e o possível retorno destes investimentos por parte dos investidores.

Silva afirma que a crítica à privatização não é vazia. “Nós temos uma alternativa a essa proposta, que é o investimento público, e a conjuntura nacional é favorável a esse tipo de investimento, em especial pelo advento dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O grande problema que nós temos hoje é a má gestão dos recursos públicos”, disse

“Para isso é importante a regulação pode ser um mecanismo eficaz para garantir o saneamento como direito de todos, sobretudo daqueles que não têm capacidade de pagamento, no entanto: é imprescindível que a entidade reguladora municipal já esteja instalada e em funcionamento antes de se fazer a concessão privada dos serviços. Além disso, é preciso considerar que apenas a regulação não é suficiente, é urgente fortalecer o capital social da população”, completou na exposição, ressaltando que o grande desafio é enfrentar os problemas de gestão das empresas e organizar os movimentos sociais para garantir a participação social e o controle social.

Retomada do Comitê pela Remunicipalização

O presidente da CUT/MT, João Luiz Dourado, apresentou a proposta de reorganizar o COMITÊ PELA RETOMADA DA CONCESSÃO PÚBLICA DA ÁGUA E DO SANEAMENTO DE CUIABÁ. “Água é um direito fundamental básico para garantir a vida, assim como saúde e educação. A água é direito social e deve ser pública”, defendeu.

Para o secretário de comunicação da CUT/MT, Robinson Ciréia, água é tema importante para humanidade. É o recurso natural mais precioso e não é infinito. E, propôs uma reunião para ampliada com os movimentos sociais para a reorganizar o COMITÊ PELA RETOMADA DA CONCESSÃO PÚBLICA DA ÁGUA E DO SANEAMENTO DE CUIABÁ.

A reunião ficou agendada para acontecer nesta segunda-feira (09/11), às 9h, na sede da CUT/MT, com o objetivo também acompanhar o Leilão da cab ambiental será realizado no dia 12 de novembro.

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »