Água ‘contra’ racionamento é mais poluída; saiba o que fazer

O baixo nível de água no Sistema Cantareira, principal fonte da água da Grande São Paulo, levou a Sabesp a anunciar, no início de abril, que o volume morto do reservatório pode ser usado nos próximos meses. Os especialistas avaliam que esse tipo recurso tem mais poluentes que a água tradicionalmente captada e, se não for tratado adequadamente, pode representar riscos à saúde dos cerca de 9 milhões de consumidores da capital e dos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

A exposição aos poluentes do volume morto pode causar desde intoxicações, diarreias e alergias até problemas mais graves nos rins e no fígado, como doenças degenerativas e câncer, segundo parecer de duas professoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Dejanira de Franceschi de Angelis e Maria Aparecida Marin Morales – e uma da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Silvia Regina Gobbo.

Como se proteger contra esses riscos? O papel fundamental não é do cidadão, mas da Sabesp. “Tenho 30 anos de atuação nesta área e jamais o volume morto foi usado. Então, podemos dizer que esta água conta com poluentes acumulados há mais de três décadas. É preciso que a Sabesp faça um estudo bastante criterioso antes de fazer uso dela”, afirma o professor João Luiz Brandão, do Departamento de Hidráulica de Saneamento da USP/São Carlos.

Dejanira avalia que a Sabesp vai realizar o tratamento necessário. “Ela está investigando para ver a composição exata da água e vai adequar a purificação de acordo com a necessidade.

O pesquisador da Embrapa Ênio Girão, que trabalhou no programa Vigilantes da Água, observa que a Sabesp informa, na conta enviada aos consumidores, os índices de turbidez, cor, cloro e coliformes fecais presentes na água. “Se a pessoa se sentir insegura em relação à qualidade, pode ferver a água antes de consumir”, afirma.

Dejanira diz que o cidadão que quiser adotar uma precaução extra pode recorrer a um método chamado solarização: encha de água uma garrafa PET e deixe-a sob contato direto com o sol por 48 horas. Com isso, os raios ultravioletas vão destruir os micro-organismos.

Girão dá outra dica: verificar o pH da água usando papel tornasol, que pode ser comprado em lojas químicas. Ao ser mergulhado no líquido, o papel mudará de cor, indicando se a água está ácida ou não. Para o organismo humano, o ideal é o consumo de água alcalina, com um pH que varia entre 8,5 e 10.

O que é o volume morto
Brandão, da USP/São Carlos, explica que todos os projetos de barragem contemplam um “volume morto”, cuja função é receber os sedimentos sólidos da água represada, que podem incluir resíduos de esgoto e poluentes agrícolas, por exemplo.

Assim que a água chega ao reservatório, perde velocidade, e aos poucos suas partículas vão se depositando no fundo. O grande problema é que ela não circula e vai acumulando sedimentos. Conforme o tempo passa, a concentração de poluentes pode chegar a níveis bem superiores ao da água encontrada normalmente utilizada”, explica.

Ainda de acordo com o especialista, o volume morto corresponde, geralmente, a cerca de 10% da capacidade total de uma barragem. No entanto, a água nele contida sequer entra na contagem do recurso que está disponível para a população, pois não é utilizável em condições normais.

Fonte: Terra
Veja mais: http://vidaeestilo.terra.com.br/casa-e-decoracao/protecao-da-casa/agua-contra-racionamento-e-mais-poluida-saiba-o-que-fazer,b134632613175410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

Últimas Notícias:
Especialistas debatem relevância crescente de contabilidade para o saneamento no ENCONSAB (3)

Especialistas debatem relevância crescente de contabilidade para o saneamento no ENCONSAB

O 3º Encontro Nacional de Contadores do Setor de Saneamento (ENCONSAB), realizado na quarta (19/8) e quinta-feira (20/8), em São Paulo. Reuniu 313 representantes de órgãos reguladores, empresas, entidades de classe e especialistas para discutir os desafios da contabilidade diante das transformações do setor. Ao longo da programação, temas como Reforma Tributária, contabilidade regulatória, novas normas internacionais, Inteligência Artificial e auditoria independente mobilizaram os debates.

Leia mais »
Recompensa para denúncia de descarte irregular de lixo já pode ir a Plenário

Recompensa para denúncia de descarte irregular de lixo já pode ir a Plenário

Em reunião nesta quarta-feira (19/08), a Comissão de Administração Pública e Segurança Pública emitiu parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 791/2026, de autoria de Professora Marli (PP), que institui o Programa de Fiscalização Colaborativa, com a finalidade de prevenir e combater o descarte irregular de resíduos sólidos em espaços públicos de BH. O texto prevê canais oficiais para o recebimento de denúncias e garante a preservação da identidade do denunciante. Nos casos comprovados, o denunciante poderá receber uma bonificação de até 30% do valor da multa paga pelo infrator.

Leia mais »