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Cinco cidades do RJ estão entre as dez que mais precisam e menos aumentaram rede de esgoto

Das dez cidades do país que mais precisam e menos fizeram obras para coleta de esgoto nos últimos cinco anos, metade é do estado do Rio de Janeiro. Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, São Gonçalo e a própria capital aparecem na lista feita pelo Instituto Trata Brasil entre os municípios com mais urgência em reforçar a rede de coleta de esgoto e que menos correram atrás do prejuízo. Uma consequência grave desse atraso é a poluição da Baía de Guanabara. Os cinco municípios lançam esgoto não tratado nos rios de desaguam na baía e até mesmo diretamente nas águas dela. Segundo o presidente do Trata Brasil, Edison Carlos, a Baía de Guanabara é um verdadeiro reservatório de esgoto. Ele explica que, desde a década de 1970, a prioridade das autoridades tem sido a distribuição de água tratada para a população. Edison Carlos acredita que houve uma grande evolução nesse aspecto, mas critica o fato de a coleta e o tratamento do esgoto terem ficado pra trás.

“Primeira prioridade sempre foi a água. Até do ponto de vista político: é ela que dá mais voto. É mais bem reconhecida. O esgoto ficou pra trás na maioria das cidades brasileiras. E aí no Rio foi muito forte”.

Na cidade do Rio, um dado chama a atenção: o índice de tratamento de esgoto piorou nos últimos cinco anos. Em 2011, 52% dos rejeitos eram tratados. Em 2015, esse número caiu para 44,5%. A coleta até que melhorou: saiu de 78 para 83 por cento. O motivo, segundo os especialistas, é o fato de a infraestrutura não ter acompanhado o aumento populacional, especialmente da Zona Oeste. Mesmo tendo concentrado recursos por causa da Olimpíada, a região não tem tratamento de esgoto suficiente, o que explica a poluição das Lagoas de Jacarepaguá, por exemplo. O sanitarista e professor da Escola Politécnica da FioCruz Alexandre Pessoa Dias diz que as cidades são dinâmicas e que, se não há constante manutenção e ampliação das redes de coleta e tratamento, a situação do esgoto só piora.

“As cidades são dinâmicas. Então, ou você melhora, ou o sistema piora. Tanto em termos de indicadores de cobertura quanto de operação e manutenção. Porque não adianta ter rede se ela não tem a devida manutenção e limpeza. Ou então quem vai fazer a limpeza é a população desesperada quando ocorre as inundações”.

Enquanto isso, o Rio discute a privatização da Cedae. Para o Instituto Trata Brasil, o tipo de gestão, pública ou particular, não determina a qualidade do serviço de saneamento nas cidades. O que a ONG defende é a parceria entre empresas públicas e privadas para resolver as deficiências de cada região. O relatório apontou ainda que Niterói, na Região Metropolitana, é o município fluminense mais bem colocado entre os 100 mais populosos do país, ocupando a décima sétima posição no ranking nacional. Das dez cidades do estado que aparecem na lista, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu são as que apresentam pior desempenho. O Rio ficou na posição de número 56, enquanto São Paulo apareceu em décimo lugar.

Fonte: CBN

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