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Lixo produzido por 80 milhões de brasileiros não tem destinação correta

Quatro anos depois de entrar em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Brasil ainda está muito longe de atingir as metas da legislação. Um balanço divulgado nesta segunda (27) pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza) mostra que o lixo produzido por 80 milhões de brasileiros não tem destinação correta. Vão para lixões e aterros irregulares, por exemplo.

Vinte milhões de pessoas não têm nem serviço de coleta. Quer dizer, o lixeiro simplesmente não passa na porta. Mais um número: de 2003 a 2014, a geração de lixo aumentou 29%. Mas o percentual recolhido se manteve praticamente estável nos últimos quatro anos.

Na reciclagem, o Brasil é um dos campeões mundiais em reaproveitamento de latas de alumínio, mas em outros produtos, como plástico de garrafas Pet e papéis, o índice fica bem abaixo.

No extremo da zona sul de São Paulo, mulheres resolveram se unir e viver do lixo produzido pelos outros. São catadoras e montaram uma cooperativa. Essa cooperativa é um exemplo prático do lixo retornando à cadeia produtiva. Mas essa ainda não é uma regra obedecida em todo país.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, deveria disciplinar a destinação de resíduos. Só que a lei está longe de ser cumprida.

Os municípios brasileiros tinham até agosto do ano passado para se adequar à nova política. Mas quase três mil cidades e o Distrito Federal não conseguiram cumprir o prazo.

Umas das exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos é acabar com o lixões. A 15 quilômetros de Brasília, bem perto de quem decide os rumos da nação, fica o maior lixão da América Latina. Todo o lixo de Brasília e do entorno vai para lá. A área gigantesca recebe por dia até 11 mil toneladas. Apenas 2% são levados para reciclagem. O prometido aterro sanitário, a solução para fechar o lixão, está com as obras paradas desde dezembro do ano passado por problemas no pagamento das empresas que fizeram o trabalho até agora.

Para o presidente da associação, Carlos Silva Filho, a gestão do lixo é uma responsabilidade que deve ser dividida entre o poder público e a sociedade. “Não existe nenhum serviço de gestão de resíduos sólidos no mundo que funcione e que realmente traga resultados, se não for custeado pelo próprio usuário, ou seja, pelo cidadão. Como é remunerado o serviço de energia elétrica, como é remunerado o serviço de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Ou seja, todos aqueles serviços que nós utilizamos, nós remuneramos e com a limpeza urbana não pode ser diferente”.

 

Fonte: G1

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