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Novos projetos de biogás da Gás Verde no Rio/RJ

A Gás Verde, empresa formada pela holandesa Arcadis e o grupo paranaense J.Malucelli, prevê começar a fornecer, em julho, as suas primeiras cargas de biogás para a siderúrgica Ternium, no Rio de Janeiro.

O contrato viabilizará as operações da usina de Seropédica, um dos três projetos de biogás de aterro sanitário que a companhia lançará neste ano na Região Metropolitana do Rio e que somam investimentos de cerca de R$ 500 milhões. Juntas, as usinas vão gerar receitas anuais de R$ 250 milhões.

Seropédica é o maior dos três novos projetos de biogás da Gás Verde no Rio e terá capacidade para produzir  200.000 m³ diários, o equivalente a 1% do mercado fluminense de gás natural. Um terço da produção será fornecido para a Ternium, localizada em Santa Cruz, na zona Oeste do Rio, e outro terço do volume será entregue para postos de gás natural veicular (GNV). A produção será escoada pela empresa de logística Neogás, por meio de carretas de gás comprimido.

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A usina de Seropédica tem, ainda, mais um terço de sua produção descontratada. “Quando estivermos entregando esses dois primeiros grandes contratos ( para Ternium e postos de GNV ), estaremos mais confortáveis e seguros para assumir novos contratos”, afirma o diretor-presidente da Arcadis Logos Energia, Manoel Avelino. Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a Gás Verde recebeu em maio a licença para operar a usina local. O biogás produzido no aterro será usado para geração de energia, numa termelétrica de 17 megawatts (MW) de capacidade instalada. Avelino diz que 90 % da geração foi contratada por três anos pela comercializadora da CPFL.

Investidores

A ideia é repetir o modelo no aterro de São Gonçalo. O plano é concluir em outubro a construção da térmica de 8,5 MW, também para o mercado livre de energia. Avelino conta que, inicialmente, o plano era vender todo o biogás de Seropédica, Nova Iguaçu e São Gonçalo para a Naturgy (Ceg e Ceg Rio), aproveitando-se da lei estadual que obriga as distribuidoras de gás canalizado a comprarem o biogás produzido em aterros do Estado. Segundo ele, porém, a regulamentação sobre os termos da compra não evoluiu conforme o esperado e a empresa reestruturou o seu modelo de negócios.

O executivo destacou que o interesse da empresa é concluir a instalação das três novas usinas e a partir daí buscar novos investidores para os projetos. “É parte da estratégia dos acionistas fazer os investimentos, colocar as usinas para funcionar e depois vender para investidores institucionais”, disse. A intenção é conseguir avançar com a venda até o fim do ano. “A Arcadis ( uma das acionistas da Gás Verde ) está encerrando um capitulo no Brasil, saindo da área de investimentos para se concentrar na prestação de serviços de engenharia. Não faz mais parte da estratégia global da empresa ter investimentos em ativos”, explicou.

Para Avelino, as discussões do governo sobre um novo marco regulatório para o gás natural devem ajudar a criar um ambiente mais favorável à entrada de novos investidores no mercado brasileiro, uma vez que o novo marco deve incentivar a construção de um mercado livre de gás no país. “Muitos ‘players’ estão entrando no mercado de gás no Brasil.” A holandesa esteve presente nos primeiros projetos do tipo, no Brasil: as usinas de São João e Bandeirantes, em São Paulo, nos anos 2000. No Rio, a Gás Verde opera o controverso projeto de Gramacho, em Duque de Caxias, que produziu volumes inferiores ao previsto – segundo Avelino, por falhas na prestação de informações no projeto original e limitações nas acomodações geotécnicas do aterro. Para ele, Gramacho deixou lições técnicas, mas é considerado uma “página virada” para a empresa.

Fonte: Valor.

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