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Quase metade da água tratada pela Daemo vai para debaixo da terra

(Olimpia – SP)

A Superintendência de Á­gua, Esgoto e Meio Ambiente – Daemo Ambiental está perdendo quase a metade da á­gua tratada pela autarquia e que está sendo solta nas redes para ser distribuída aos consumidores. De acordo com o diretor, engenheiro Antônio Jorge Motta, atualmente a autar­quia perde de 42% a 43% de todo o volume distribuído.

Mas Jorge Motta avisa que se trata de uma situação que já foi bem pior uma vez que tem realizado alguma coisa no sentido de troca da rede antiga da cidade. Segundo ele, há cinco anos essa perda era de aproximadamente 60% a 65%.

Entretanto, quando se fala em rede de distribuição o diretor não se refere a apenas a rede que serve o centro da cidade e bairros da zona sul e parte da zona oeste de O­lím­pia, a partir da ETA (Estação de Tratamento de Água) do Jardim Toledo. Motta explica que há também vazamentos na rede que distribui água produzida pelos poços espalhados pela cidade.

“A Daemo está engatinhan­do no que diz respeito ao combate de perdas. Só nesse governo é que tem mudado as coisas. Ficou muito tempo sem se investir em redes novas, muitos anos sem recuperação de redes e substituição de redes antigas. Então, trabalhamos com perda em torno de 42%”, explicou durante entrevista que concedeu à imprensa local na semana passada.

E acrescentou: “Vimos fazendo investimento em infra­estrutura de troca de encanamento, de registros, para combater a perda. Por isso, se formos atacar de uma só vez todos os problemas que temos em Olímpia, nós, financeiramente, não teremos condições. Mas, um trabalho devagar é possível, dentro de nossas condições financeiras. Fazer de uma vez só é impossível”.

Também de acordo com o diretor, essa perda ocorre na malha geral antiga que necessita ser substituída, medida que vem sendo feito aos poucos, Segundo Jorge Motta, recentemente foram substituídos 500 metros de rede, que era de amianto, na Rua José Clemêncio, atrás da Santa Casa. Por se tratar de uma estrutura antiga havia vazamentos, falta de pressão da água naquela região da cidade e, consequentemente, pouca á­gua nas torneiras.

REGIÃO CENTRAL 

Mas o grande problema está justamente na região central da cidade: “Vimos fazendo isso em todos os lugares onde é possível. No centro não há como fazer. É impossível fazer tudo de uma vez”.

Motta projeta trocar a rede antiga da Rua David de Oliveira desde o cruzamento com a Rua Síria até ao cruzamento com a Avenida Aurora Forti Neves. “Mas isso pararia a cidade”, lamenta.

Esse vazamento substancial revelado por Mota alcança também os poços profundos. Segundo ele, há poços novos, mas também há os antigos. Por outro lado, há redes novas, mas também há as antigas. Além disso, tem poço novo com rede antiga, que tem problema.

“E se formos ver, Olímpia ainda está na média de perdas. Fico feliz de estarmos conseguindo combater em torno de 10% dessa perda por ano. Gostaria que em 10 anos caísse para pelo menos 20%, que é a média nacional”, estima.

O diretor diz que se trata de um grande problema, mas que não se resolve totalmente. Motta afirma que foi recuperando cerca de 10% a cada ano que chegou à média de 42% a 43% de perdas: “o que é razoável, mas não é o ideal”.

A solução definitiva envolve problemas financeiro, logístico e problema temporal: “envolve tudo isso e a todos”. Mas trabalha com a ideia de num prazo entre 20 a 15 anos, essa redução das perdas cair para 20%. “Zerar é impossível. É um caminho sem fim. Vai e volta refazendo. É uma constante”, finaliza.

Daemo pode ter de racionar água por causa de vazamentos

Por causa do grande volume de perda de água através dos vazamentos da rede, a Superintendência de Á­gua, Esgoto e Meio Ambiente – Daemo Ambiental poderá ter de promover um racionamento na distribuição de água, principalmente na região central da cidade.

De acordo com o diretor da autarquia, Antônio Jorge Mot­ta, o sistema de distribuição, seja por meio da rede a partir da ETA (Estação de Tratamento de Água), do Jardim Toledo, seja da rede interligada aos poços profundos, desperdiça mensalmente, entre 193,2 mil a 197,8 mil metros cúbicos de água tratada.

E, segundo Motta declarou à imprensa recentemente, é este volume que sai da ETA que o preocupa, caso as chuvas não caiam com mais fre­quência sobre a cidade.

A rede da ETA é a que abastece a área central, zona sul e parte dos bairros da zona oeste. Os demais bairros trabalham com reservação e por isso não terão problemas no caso de um racionamento de água: “Com os bairros não estamos preocupados. Se houver uma interrupção é a região central que vai sofrer”.

Segundo o diretor, mensalmente a Daemo produz 460 milhões de litros de água, ou seja, 460 mil metros cúbicos, sendo 330 mil metros cúbicos dos poços e 130 mil metros cúbicos da estação de captação do córrego Olhos D´água.

De acordo com o diretor, a chuva que ocorreu em Olímpia e região melhorou a situação hídrica, mas ainda não é o suficiente para se tranqui­lizar com relação ao abastecimento de água. Ainda é muito pouco e por isso é necessário que o consumidor utilize a água racionalmente.

“O olimpiense sabe que o recurso está cada vez mais escasso. Pedimos que use racionalmente a água. E estamos aguardando chuvas mais importantes, porque até o momento não estamos tendo”, avisa.

Ainda segundo o diretor, a decisão de racionar ou não a distribuição de água está vinculada às chuvas: “Economizando ou não, se a chuva não vier em volume necessário, vamos racionar”, enfati­zou o diretor. “Estamos nu­ma situação ainda confortável, se comparado a municípios em situação crítica. Mas isso não quer dizer que estamos fora de risco de racionamento”.

Diretor da Daemo é contra dar desconto por economia de água

O diretor da Superintendência de Água, Esgoto e Meio Ambiente – Daemo Ambiental, engenheiro Antônio Jorge Mot­t­a, é contra a aprovação de uma lei que preveja desconto no valor das contas para o consumidor que economizar água. Seu posicionamento foi feito quando questionado a respeito de um Projeto de Lei que estava para ser encaminhado pelo prefeito Eugênio José Zuliani à Câmara Municipal de Olímpia.

A proposta do prefeito a­tende uma indicação do presidente da Câmara, Hum­berto José Puttini, para que seja concedido 20% de desconto para quem, em seis meses, economizar 20% no consumo de água.

“Enquanto gestor da Da­emo tenho como incumbência gerir a Daemo. Não acredito que se consiga cons­ci­entizar um adulto. Você consegue sensibilizar adulto e conscientizar crianças.

Quan­­to a dar desconto para quem economizar água, não vejo sentido, porque acho que é obrigação do cidadão”, afirmou.

A afirmação foi feita durante uma entrevista que concedeu recentemente à imprensa local, na qual Mo­t­ta acrescentou: “Não me sinto à vontade, particularmente, de pagar para o cidadão economizar um recurso natural que está escasso e que ele sabe disso.

Então, a minha posição, nesse caso, é a de não incentivar economia nenhuma, porque isso é questão de cidadania, educação, cultura. Acredito que o povo daqui é inteligente o suficiente para não precisar de incentivo financeiro nenhum para exercer a defesa da natureza”.

Entretanto, avisa que não poderá ferir uma lei caso ela venha a ser aprovada: “mas, o que for transformado em lei, tem que ser cumprido. Porém, não acredito que o vereador ou o prefeito queiram prejudicar em nada, nem ninguém com esta me­ta. O que for lei nós acatamos. Só coloquei aqui a minha opinião pessoal. Até porque tem aqueles que já economizam, por questão de consciência, de bom senso, e o fazem de graça”.

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