Tem Solução reciclagem de resíduos da construção e certificações ambientais mostram caminhos para cidades mais sustentáveis

Tem Solução: reciclagem de resíduos da construção e certificações ambientais mostram caminhos para cidades mais sustentáveis

Projetos em Tatuí, Sorocaba e Boituva provam como a gestão correta de resíduos reduz impactos ambientais, gera economia aos cofres públicos e fortalece práticas alinhadas ao ESG.

O Brasil gera cerca de 50 milhões de toneladas de resíduos da construção civil por ano. Apesar do volume, apenas 21% desse material é reciclado, segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Enquanto grande parte do entulho ainda tem como destino aterros ou descarte irregular, iniciativas no interior paulista mostram que esse cenário pode ser diferente.

Em Tatuí, na região de Sorocaba o município passou a investir no reaproveitamento desses materiais. Desde o fim de 2025, a cidade conta com uma usina de reciclagem que transforma restos de concreto, tijolos, vigas e louças sanitárias em brita reciclada, utilizada principalmente na manutenção de estradas rurais.

O que normalmente representa o fim de uma obra se torna o começo de um novo ciclo. Segundo o secretário municipal de Serviços Urbanos, Marcel Soares, além do benefício ambiental, a iniciativa reduz gastos públicos.

“É um material que antes gerava custo para descarte. Hoje ele é reaproveitado nas estradas, ajudando o meio ambiente e também os cofres públicos.”

Na usina, o entulho passa por um processo de britagem e, em pouco tempo, se transforma em material pronto para reutilização. A prefeitura orienta que os resíduos sejam entregues sem mistura com lixo orgânico, madeira ou outros materiais que possam comprometer a reciclagem.

Desde que entrou em operação, a usina recebe, em média, 368 metros cúbicos de entulho por mês. Até agora, já foram produzidas aproximadamente 60 toneladas de brita reciclada, utilizadas em obras de infraestrutura do município. A economia com transporte e descarte dos resíduos chega a cerca de R$ 75 mil por mês, segundo a prefeitura.

O Ecoponto de Tatuí funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30; aos sábados, das 8h às 16h; e aos domingos, das 8h às 12h. Para moradores que realizam pequenas reformas, o espaço já se tornou o destino adequado para o descarte do entulho.

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Gestão de resíduos vai além da construção civil

Além disso, a preocupação com a destinação correta dos resíduos também faz parte da rotina de empresas e instituições de ensino.

Em Sorocaba, uma faculdade implantou um programa de gestão de resíduos que inclui coleta seletiva, compostagem, uma central de triagem e ações permanentes de educação ambiental voltadas à comunidade acadêmica.

Segundo a analista de sustentabilidade Ana Paula Leite, o objetivo é ampliar a conscientização sobre a responsabilidade de cada pessoa na destinação dos resíduos.

“Quando dizemos que estamos jogando o lixo fora, na verdade ele continua no nosso planeta. A gente precisa entender isso e buscar estratégias pra contribuir onde a gente mora ou trabalha”.

Além disso, mais de 90% dos resíduos gerados no campus são reaproveitados, seja por meio da reciclagem, seja pela compostagem.

O trabalho resultou na conquista da certificação internacional Lixo Zero, tornando a instituição a primeira faculdade a receber esse reconhecimento.

Ademais, de acordo com a reitora Thaís Beldi, a conquista é fruto de um processo contínuo.

“Realizamos diversos treinamentos internos e ficamos muito felizes em sermos a primeira instituição .a receber essa certificação. É um reconhecimento dessa transformação.”

Certificações ambientais ganham espaço com avanço do ESG

Conquistar uma certificação ambiental exige mais do que boas práticas. Todo o processo passa por auditorias, análise documental e verificação do cumprimento de critérios técnicos.

Segundo Matteo Mendonça, gerente de Inovações da empresa responsável por consultorias na área, as organizações precisam estruturar processos antes da auditoria final.

“Primeiro preparamos toda a documentação, realizamos auditorias internas e, depois, um organismo certificador valida se todos os requisitos foram atendidos.”

A busca por certificações cresce à medida que empresas incorporam práticas de ESG, sigla para critérios ambientais, sociais e de governança. Além de reduzir impactos ambientais, essas ações fortalecem a reputação das organizações e aumentam sua competitividade no mercado.

Em Boituva, uma indústria do setor de segurança para máquinas e automação investe há cerca de duas décadas em ações ambientais e acumula certificações voltadas à sustentabilidade.

Entre as iniciativas estão programas de logística reversa, reciclagem de materiais, adesão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e projetos de compensação de emissões por meio do plantio de árvores.

Para o diretor-superintendente Rogério Badalfi, sustentabilidade deixou de ser apenas uma responsabilidade ambiental e passou a fazer parte da estratégia empresarial.

Por fim, além dos ganhos ambientais, as certificações se tornaram um diferencial competitivo. Empresas e investidores têm buscado fornecedores comprometidos com práticas sustentáveis, e a tendência é que critérios ligados ao ESG estejam cada vez mais presentes nas cadeias produtivas e nas relações comerciais.

Fonte: G1

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