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Sabesp vai remanejar água para 3 milhões de pessoas

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aumentará para 3 milhões o número de moradores da Grande São Paulo que deixarão de receber água do Sistema Cantareira para serem abastecidos pelas bacias do Alto Tietê e Guarapiranga, para evitar o esvaziamento das represas. Desde o fim de janeiro, a empresa remaneja água desses dois sistemas para suprir a seca do Cantareira, que chegou nesta terça-feira, 11, a 15,8% da capacidade, índice mais baixo da história.Hoje, a medida atinge cerca de 2 milhões de pessoas.

Segundo a Sabesp, novas bombas estão sendo instaladas para diminuir ainda mais a dependência do Cantareira. Até abril, o remanejo de água atingirá 3 milhões de habitantes, ou 34% dos 8,8 milhões abastecidos originalmente pelo principal manancial na Região Metropolitana. Agora, parte do Jabaquara, Vila Olímpia, Brooklin, na zona sul, e Pinheiros, na zona oeste, receberão água da Guarapiranga. Já o Alto Tietê passará a abastecer os bairros da Penha, Ermelino Matarazzo, Cangaíba, Vila Carrão e Vila Formosa, na zona leste.

Os reservatórios estão com 71,2% e 38,4% da capacidade, respectivamente. Segundo a Sabesp, mesmo com a mudança na fonte de abastecimento, os 3 milhões de moradores continuam inclusos no programa de descontos de até 30% para quem economizar ao menos 20%. O plano de bônus foi estendido. $Esvaziamento.$ As medidas de redução de dependência do Cantareira não têm freado a queda do nível das represas, por causa da retirada de água em volume superior ao que entra pelos rios da bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Ontem pela primeira vez na história, os reservatórios Jaguari e Jacareí – considerados o coração do sistema – ficaram abaixo dos 10% da capacidade, atingindo 9,9%. As duas represas interligadas armazenam 808 bilhões dos 973 bilhões de litros de água transferidas para abastecimento.

Como o sistema de transferência dos rios do interior para a Grande São Paulo envolve outras três represas menores que estão em bom nível (Cachoeira e Atibainha, com capacidade para 95,2 bilhões de litros, e Paiva Castro, com 7,6 bilhões e de uso exclusivo da Região Metropolitana), o volume total é de 15,8%. Ontem, por exemplo, a quantia média de água que entrou nas represas do sistema foi de 6,85 mil litros por segundo. A média de saída foi de 27,8 mil litros. O problema é que quando as represas que transferem água para a Grande São Paulo (chamado sistema equivalente) atingirem o volume de 5% (49 bilhões de litros), ele deixará de funcionar como sistema integrado e só será possível tirar água por bombas especiais.

O uso desse fundo (chamado volume morto) nunca foi feito. Segundo medição de ontem, havia nos reservatórios 150,7 bilhões de litros de água útil para o abastecimento. Há ainda outros 500 bilhões de litros que só podem ser usados por sucção. A Sabesp está comprando o equipamento, que deve custar R$$ 80 milhões. A companhia informou que “está tomando todas as providências para manter a normalidade do abastecimento de 20 milhões na Grande São Paulo “e cumpre as determinações do Estado e da União. A Sabesp informou também que a Cantareira funciona de maneira integrada. “Neste fim de semana, por exemplo, a chuva concentrou-se na região da represa Paiva Castro – 61,2 mm. A companhia aproveitou essa vazão para o tratamento e poupou as demais represas”, informou a companhia, em nota.

Em Campinas, o Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) realizou uma audiência ontem em que entidades reforçaram a necessidade de redução do uso da água do Cantareira pela Grande São Paulo , como forma de se evitar o racionamento na estiagem. Segundo o professor da Unicamp Antônio Carlos Zuffo, os reservatórios precisam ser preservados, senão levarão dez anos para voltar a encher.

Fonte: PasseiAki

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