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Andrade Gutierrez busca fechar acordo de leniência com controladoria

Segunda maior empreiteira do país, a Andrade Gutierrez ingressou nesta terça-feira (6) com um pedido na CGU (Controladoria Geral da União) no qual manifesta interesse em fechar um acordo de leniência com o órgão.

Neste tipo de acordo, a empresa confessa as irregularidades que cometeu e os subornos que pagou para se livrar de um dos maiores temores das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato: o de ser declarada inidônea e proibida de celebrar contratos com o poder público.

A Andrade Gutierrez é altamente dependente de contratos nesse segmento: 44% da receita da empresa vem de obras para os três níveis de governo. No ano passado, a empreiteira teve uma receita líquida de R$ 7,46 bilhões.

Empresa inidônea também é proibida de ser contemplada com recursos de bancos públicos, como o BNDES.

A Andrade Gutierrez também negocia um acordo de delação com os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba (PR), conforme a Folha revelou em setembro.

Três executivos que fazem parte da cúpula do grupo e da empreiteira estão presos em Curitiba. São eles: Otávio Azevedo (presidente do grupo), Erton Medeiros (diretor da empreiteira) e Flávio Barra (presidente da AG Energia).

A empresa é acusada de pagar propina em contratos com a Petrobras e a Eletronuclear. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa relatou em acordo de delação que a empreiteira lhe pagou US$ 3 milhões em uma conta na Suíça que estava em nome de um genro.

Flávio Barra foi preso junto com o almirante Othon Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, por causa de pagamentos que a Andrade Gutierrez fez a uma empresa do militar. O juiz federal Sergio Moro classifica os pagamentos como suborno porque os serviços contratados nunca foram prestados.

Com a manifestação da Andrade Gutierrez, já são sete as empresas que tentam fechar um acordo de leniência com a CGU. A que está mais próxima de concluir o trato é a holandesa SBM. A multa que a empresa deve pagar é de pouco mais de R$ 1 bilhão.

Para fechar um acordo de leniência, a empresa precisa confessar crimes, ressarcir o prejuízo que causou à Petrobras e outras estatais como a Eletronuclear e, finalmente, pagar uma multa. No cálculo do prejuízo, só são levadas em contas as irregularidades praticadas a partir de agosto de 2013, quando começou a vigorar a lei anticorrupção.

A expectativa na Andrade Gutierrez é que o valor da multa não ultrapasse a casa dos R$ 700 milhões, segundo a Folha apurou com profissionais envolvidos na negociação. Foi esse valor que a Camargo Corrêa se comprometeu a pagar num acordo de delação que a empresa fechou com procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

A Andrade Gutierrez espera pagar menos do que a Camargo porque os valores de seus contratos com a Petrobras são inferiores aos da empresa concorrente.

Procurada pela reportagem, a companhia afirmou que não iria se manifestar sobre um eventual acordo de leniência. A Folha não conseguiu localizar assessores da CGU para comentar o interesse manifestado pela empreiteira.

Fonte: Folha

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