ABCON destaca expansão dos serviços, crescimento dos investimentos e necessidade de acelerar a Universalização do Esgotamento Sanitário.
Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento, o setor brasileiro apresenta avanços importantes na expansão dos serviços de água e esgoto. Os dados fazem parte da nova edição do Panorama da Universalização do Saneamento 2026, lançado pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON).
A publicação, anteriormente denominada Panorama da Participação Privada, passa a adotar o novo nome. A mudança busca refletir a transformação do setor e o desafio comum de alcançar a universalização.
Segundo a ABCON, as metas deixaram de ser apenas aspiracionais. Elas passaram a se tornar compromissos contratuais. Com isso, contribuem para a segurança jurídica e para a aceleração dos investimentos.
Em 2024, o saneamento registrou R$ 29,1 bilhões em investimentos, terceiro recorde anual consecutivo, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Os resultados já aparecem na expansão do atendimento: desde 2020, 7,7 milhões de domicílios passaram a contar com abastecimento de água com disponibilidade diária, enquanto 9,3 milhões passaram a ter acesso à rede de coleta de esgoto. O volume de esgoto tratado também cresceu 5% entre 2023 e 2024.
A expansão dos investimentos também é acompanhada pelo avanço das concessões. Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, com mais de R$ 227 bilhões em investimentos contratados, beneficiando cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios. Outros 31 projetos estão em estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões em investimentos.
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Panorama da universalização mostra avanço do saneamento, recorde de investimentos e desafios para 2033
Apesar dos avanços, o esgotamento sanitário permanece como um dos principais desafios. Atualmente, 780 municípios já atingiram a universalização do abastecimento de água, enquanto apenas 321 universalizaram a coleta e o tratamento de esgoto. O Panorama também identifica municípios que ainda não possuem metas contratualizadas e que enfrentam limitações financeiras e estruturais para realizar os investimentos necessários.
Segundo a ABCON, será necessário avançar na estruturação desses municípios e preservar um ambiente regulatório estável, garantindo condições para que os investimentos continuem crescendo e se transformem em obras e ampliação efetiva do atendimento.
Portal Saneamento Básico questiona impactos da reforma tributária.
Durante a coletiva, Clovis, do Portal Saneamento Básico, questionou a ABCON sobre os impactos da reforma tributária nas tarifas de água e esgoto. A entidade informou que a mudança deverá elevar significativamente a carga tributária do setor e, segundo estudos da associação, poderá resultar em impacto médio de 18% nas tarifas. Para absorver esse aumento, será necessário realizar o reequilíbrio econômico-financeiro de cerca de 4 mil contratos. Segundo a ABCON, porém, o impacto será repassado ao consumidor e, portanto, a conta da maior carga tributária será suportada pelos usuários dos serviços de água e esgoto.
O Panorama 2026 mostra, assim, um setor em transformação, com investimentos em trajetória de crescimento e avanços concretos no acesso aos serviços, mas que ainda enfrenta desafios importantes para alcançar as metas estabelecidas para 2033. Como destacou a ABCON durante a coletiva, a universalização deixou de ser apenas uma meta e passou a ser um processo em andamento.
Fonte: Portal Saneamento Básico.
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