saneamento basico

Avanço da rede demanda R$ 30 bi

SÃO PAULO – Uma das sete maiores economias do mundo, o Brasil ostenta a 112ª posição em um conjunto de 200 países no quesito saneamento básico, segundo estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), divulgado nesse ano. A pontuação do país no Índice de Desenvolvimento do Saneamento – um indicador que leva em consideração a cobertura por saneamento atual e sua evolução recente – foi de 0,581 em 2011. O índice brasileiro é inferior não só às médias da América do Norte e da Europa, mas também às de alguns países do Norte da África e Oriente Médio, nações de renda média bem mais baixa que a do Brasil. Equador (0,719), Chile (0,707), Honduras (0,686) e Argentina (0,667), por exemplo, registraram taxas muito superiores às do Brasil em 2011.

A situação do saneamento tem reflexos imediatos nos indicadores de saúde. A taxa de mortalidade infantil no Brasil foi de 12,9 mortes por mil nascidos vivos em 2011. Esse número é bem mais elevado que a média mundial, ou que o registrado em países mais pobres, como Cuba (4,3%), Chile (7,8%) ou Costa Rica (8,6%). Já a esperança de vida por aqui, de 73,3 anos em 2011, é menor do que a média da América Latina (74,4 anos). Em relação aos vizinhos mais próximos, o Brasil ficou muito atrás da Argentina (com 75,8 anos) ou do Chile (79,3 anos).

“Um país como o Brasil, com aspirações de se destacar nas grandes discussões internacionais, não pode se manter entre os mais atrasados no que há de mais básico – o saneamento. Apesar de sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ainda não conseguimos garantir água tratada, coleta e tratamento de esgotos a todos os cidadãos”, afirma o presidente executivo do Trata Brasil, Édison Carlos.

Mais de 105 milhões de pessoas não são beneficiadas com a coleta dos esgotos no país, enquanto somente 37,5% do esgoto é tratado, ou seja, a maior parte dos dejetos segue para a natureza sem passar por algum tipo de processo. Em casa, 13 milhões de brasileiros não possuem banheiro. Para o acesso à água e esgoto se tornar realidade em 20 anos, como pretende o governo federal, será preciso investir cerca de R$ 300 bilhões.

Segundo estimativas da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em 2012, a aplicação de recursos no setor chegou a R$ 10,3 bilhões. “As deficiências são gigantescas e a necessidade de capital no setor também”, diz o vice-presidente da Abdib, Newton Azevedo. “O retrato brasileiro está muito longe do ideal e mostra que os desafios são enormes”, afirma Édison Carlos, do Instituto Trata Brasil. O Norte e o Nordeste apresentam os piores indicadores da cobertura de serviços de água e esgoto. As cinco capitais do Norte ostentam menos de 30% de sua população com atendimento à coleta dos efluentes domésticos.

O melhor indicador está em Boa Vista (RR), que possui 97,7% da população com água tratada e 29,9% das pessoas com coleta de esgoto. Mas o índice de perdas na rede de abastecimento chega a 63%. O pior número está em Porto Velho (RO), onde menos de 40% da população tem água tratada, 2,7% dos esgotos são tratados e 71% da água é desperdiçada, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, com base na situação de saneamento nas 100 maiores cidades. No ranking das perdas de água, a liderança é ocupada por Macapá, capital do Amapá, cujo índice de desperdício chega a 75%.

No Nordeste, o quadro também é crítico, apesar de avanços recentes. Nos nove Estados da região, apenas 71% das pessoas têm acesso à água tratada e 21% contam com coleta de esgotos. O problema mais visível da gestão ineficiente das companhias municipais e estaduais que operam saneamento no Brasil são os vazamentos, fraudes, ligações clandestinas, medições incorretas e mapeamento falho da rede de água e esgoto. Esta estrutura pesa nos custos e na receita: as perdas de faturamento com estas falhas chegaram, em 2010, a 37,57%, sendo que são menores na região Sul (32,29%) e maiores no Norte (51,55%), segundo estudo do Instituto Trata Brasil.

Fonte: DCI

Veja mais: http://www.dci.com.br/especial/avanco-da-rede-demanda-r$-30-bi-id402644.html

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