BNDESPar levanta cerca de R$ 1,5 bi com venda de ações do grupo JBS

A empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a BNDESPar, levantou cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda de ações do grupo de alimentos JBS, do qual é um de seus principais acionistas, apurou o jornal O Estado de S. Paulo. As vendas foram feitas pelo banco de forma pulverizada em Bolsa, entre março deste ano e o dia 18 de setembro. Foram vendidas cerca de 100 milhões de ações ordinárias, a um preço médio de R$ 15.

O banco de fomento tinha 23,19% de participação no grupo de alimentos até 27 de julho deste ano, de acordo com dados relativos ao segundo trimestre, disponíveis no site do JBS. Nesse período, o banco detinha 682,7 milhões de ações ordinárias. Mesmo com essas recentes vendas, a BNDESPar se mantém como segundo maior acionista do grupo. A Caixa também é acionista relevante, com 10,07% de fatia.

O valor de mercado do JBS, quando o grupo abriu seu capital, em março de 2007, era de R$ 5,6 bilhões. Ontem, a empresa estava avaliada em R$ 48,3 bilhões, de acordo com dados da Economática. Em março, quando o banco começou a se desfazer de fatias que detinha na companhia, o valor de mercado do JBS era de R$ 36,8 bilhões.

Na segunda-feira, 28, as ações da empresa encerraram o dia cotadas a R$ 16,74. No ano, os papéis acumulam alta de 51% e, em 12 meses, valorização de 75%.

Carteira

A BNDESPar está se desfazendo, nos últimos meses, de ações de empresas da qual tem participação, conforme publicou o Estado na semana passada. A venda ocorre de forma pulverizada na Bolsa e inclui as companhias mais valorizadas que o banco tem em seu portfólio, como as empresas de papel e celulose Fibria e Suzano, que são exportadoras e estão sendo beneficiadas pela valorização do dólar sobre o real, e a de alimentos JBS, também com perfil exportador e com presença em mercados relevantes de carne, como EUA e Europa.

A carteira de ativos da BNDESPar é composta de ações, participações societárias, debêntures, cotas em fundos de investimentos e derivativos. O banco tem participações em dezenas de empresas, de capital aberto e fechado.

Um relatório feito pelo Insper sobre “análise de retorno dos investimentos do BNDESPar por meio de ações de empresas investidas” divulgado em agosto mostrou que a BNDESPar não alterou significativamente a quantidade de ações em carteira, entre dezembro de 2013 e junho de 2015, mantendo a estratégia de investimentos para longo prazo.

Em março, de acordo com esse relatório, 76% da carteira da BNDESPar estava exposta a quatro empresas: Petrobras (com 33%), seguida pela JBS (20,2%), Fibria, com 13,6%, e Vale, com 9,2%. O Insper ressalta que JBS e Fibria são empresas coligadas ao banco (nas quais exerce influência).

Fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que o BNDES busca, com esse movimento, reforçar seu caixa, com objetivo de encorpar a capacidade do banco para desembolsos diante da decisão do governo de extinguir os repasses extraordinários do Tesouro que reforçaram o caixa do banco de fomento em mais de R$ 450 bilhões desde 2008.

Procurada, a BNDESPar rechaça essa informação e diz que “de acordo com dados já disponibilizados nas demonstrações financeiras da BNDESPar, ao longo do primeiro semestre de 2015, a BNDESPar reduziu sua participação na JBS de 24,6% para 21,9% do capital total da empresa”. Ainda segundo o comunicado, a BNDESPar reafirma que “é da natureza de suas atividades a compra e venda de ações em sua carteira. Esse movimento não está relacionado à necessidade de obtenção de funding para o BNDES. O BNDES já declarou que está com suas fontes de ‘funding’ equacionadas para o ano de 2015”.

Já o JBS informou que, em respeito aos acionistas, a companhia não comenta movimentações feitas pelos mesmos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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