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Dilma não consegue evitar que empresas cortem investimento

(SÃO PAULO) — A presidente Dilma Rousseff tem pedido que as maiores empresas do Brasil ajudem a estimular o crescimento da economia. Seu poder de persuasão parece não ter sido suficiente, pois empresas como Vale, Natura e Petrobras já anunciaram planos de investir menos.

A Natura Cosméticos SA, maior fabricante de cosméticos do país, disse que investirá cerca de 25 por cento menos em 2015. A Vale SA, maior produtora de minério de ferro do mundo, planeja cortar os investimentos para o patamar mais baixo em seis anos. A estatal Petrobras, classificada por Dilma como a empresa mais estratégica do Brasil, tem planos de realizar o menor investimento anual desde 2008 em meio aos escândalos de corrupção da Operação Lava Jato.

Dilma, que está com o menor índice de aprovação entre os presidentes brasileiros dos últimos 15 anos, quer que as empresas continuem a investir em um momento em que as estimativas apontam para a maior contração na economia em 25 anos. Os indicadores de confiança dos empresários e dos consumidores caíram para mínimas históricas recentemente, enquanto o governo tenta promover medidas fiscais que evitem o downgrade da nota de crédito soberana.

“Ninguém está investindo”, disse Tiago Cunha, que ajuda a administrar R$ 300 milhões em ações brasileiras na BRZ Investimentos, em entrevista em São Paulo. “Quando você olha o plano de investimentos das empresas, a maioria está cortando. Isso é um reflexo da falta de visibilidade sobre o que vai acontecer nos próximos anos”.

As assessorias de imprensa da Petrobras e da Presidência da República não quiseram comentar. A assessoria da Natura não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A assessoria da Vale disse que nenhuma mudança foi feita no plano de investimentos anunciado em dezembro, quando divulgou planos de manter as despesas de capital sob controle.

No ano passado, a produção industrial do Brasil teve a maior contração desde 2009, mesmo após o governo oferecer uma série de incentivos fiscais. A confiança empresarial atingiu uma mínima recorde em fevereiro em meio a juros mais altos, inflação acima da meta estipulada pelo governo e a investigação sobre corrupção na Petrobras.

Queda do minério

“Não deixem que as incertezas conjunturais determinem sua visão de futuro do Brasil”, disse Dilma em um evento para o setor da construção em São Paulo, no dia 10 de março. “nós vamos fazer todo o esforço ao nosso alcance para que, até o fim do ano, sinais de recuperação já comecem a aparecer. Mas para isso temos de contar com os senhores também”.

A Vale está reduzindo suas despesas de capital em um momento em que se soma aos seus pares internacionais no corte de custos após os preços para o minério de ferro despencarem em meio à demanda mais fraca da China. A empresa com sede no Rio de Janeiro disse no dia 2 de dezembro que planeja investir US$ 10,2 bilhões em 2015, excluindo pesquisa e desenvolvimento, contra US$ 12 bilhões no ano passado.

A Natura, que investiu R$ 2 bilhões em logística e infraestrutura tecnológica nos últimos quatro anos, reduzirá as despesas de capitais para R$ 385 milhões em 2015. A geração de caixa na empresa com sede em São Paulo recuou em 2014, com o lucro ficando abaixo das estimativas dos analistas por quatro trimestres seguidos em meio aos estoques mais elevados.

A Petrobras disse, no dia 28 de janeiro, que fará investimentos de no máximo US$ 33 bilhões em 2015, contra os cerca de US$ 42 bilhões orçados para o ano passado. A petroleira está reduzindo despesas para eliminar a necessidade de tomar mais dinheiro emprestado neste ano, em um momento em que está atrasando a entrega dos resultados financeiros auditados de 2014.

Ajuste fiscal

Contudo, nem todas as empresas estão reduzindo despesas. No setor de varejo, a Lojas Renner SA está aumentando os investimentos em cerca de 10 por cento neste ano, para R$ 550 milhões, em uma aposta de que as medidas do governo para cortar gastos e elevar os impostos reforçarão o crescimento no longo prazo.

“Estamos preparados para enfrentar um cenário desafiador com um ritmo de vendas mais moderado no curto prazo”, disse o diretor financeiro da empresa, Laurence Gomes, no dia 13 de fevereiro.

O ajuste fiscal levará tempo para dar resultado e a desvalorização do real aumentará as despesas com juros das empresas com dívidas em dólares, desencorajando ainda mais os investimentos, segundo George Hoguet, estrategista internacional da State Street Global Advisors. O real despencou 18 por cento neste ano, pior desempenho entre as principais moedas monitoradas pela Bloomberg.

“A questão é quão longa e demorada será a desaceleração econômica no Brasil”, disse Hoguet, cuja empresa gerencia US$ 2,45 trilhões em ativos, por telefone, de Boston. “A perspectiva para o Brasil neste ano é muito instável”.

Fonte: Infomoney

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