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Instituto Trata Brasil publica estudo que aponta ociosidade das redes de esgoto

No Brasil ainda há milhares de moradias sem acesso às redes de esgoto. No entanto, existem outros milhares onde há disponibilidade da infraestrutura, mas que, por diversas razões, não estão conectados a ela. A problemática, denominada ociosidade das redes de esgotamento sanitário, foi alvo de levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Coordenação de Saneamento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e conta com informações de 47 dos 100 maiores municípios brasileiros, o que representa 21,2% de toda a população estimada no País em 2014. Entre as cidades analisadas está São Bernardo, a única da região que consta na pesquisa.

O estudo, feito pela Reinfra Consultoria, focou nas ligações factíveis – quando o imóvel situa-se em área atendida por rede coletora de esgoto, mas não está ligado a ela. De acordo com a análise, o território são-bernardense tem 4.434 ligações ociosas, envolvendo 14.411 pessoas. Já a população atendida soma 691.262 habitantes.

A estimativa é que 522.880 m³/ano de esgoto a mais seriam tratados em São Bernardo se as moradias com redes disponíveis fizessem suas conexões. Segundo o coordenador técnico da pesquisa do Instituto Trata Brasil, Alceu Galvão, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), responsável pelo abastecimento do município, cedeu as informações no mês passado.

Ao Diário, a empresa informou que, conforme os dados mais recentes, o município, que possui 155.093 ligações de esgoto, tem 2.826 factíveis, o que Nas demais cidades de domínio da Sabesp, Diadema, que totaliza 98.467 ligações de esgoto, contabiliza 695 factíveis; em Ribeirão, os números são 23.892 e 1.098 e em Rio Grande da Serra, 7.115 e 309, respectivamente.

Em Mauá, onde quem cuida do tratamento do esgoto é a Odebrecht Ambiental, existem 99.762 ligações de esgoto e aproximadamente 5.500 factíveis. A situação é atribuída, segundo a empresa, principalmente a ocupações desordenadas e irregulares em áreas de fundo de vale, ou seja, abaixo do nível da rua.

O DAE (Departamento de Água e Esgoto de São Caetano) salientou que a cidade coleta e trata 100% do esgoto, seja ele residencial, comercial/industrial ou hospitalar. O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) informou que não conseguiria retornar as informações até o fechamento desta edição.

Problema acarreta prejuízos variados

Ter à disposição a rede de esgoto e não interligar o imóvel a ela contabiliza diversos prejuízos à sociedade, frisa o coordenador técnico da pesquisa do Instituto Trata Brasil, Alceu Galvão. A situação fica ainda mais delicada quando o estudo mostra que mais de 3,5 milhões de pessoas poderiam conectar suas casas ao sistema nas 100 maiores cidades, mas não o fazem.

“Isso traz prejuízos de três naturezas: o primeiro é Saúde pública, afetada com a ausência de saneamento básico”, destaca. “O segundo é em relação ao meio ambiente. Diante da crise hídrica que estamos enfrentando, ter a possibilidade do esgoto tratado e lançado nos córregos e rios novamente e não fazer acaba prejudicando o meio ambiente e colocando água bruta de pior qualidade para utilização de abastecimento público”, acrescenta.

Já o terceiro ponto negativo impacta na questão financeira. “Há uma receita frustrada dos prestadores de serviço e a nossa conclusão é uma faixa entre R$ 900 milhões e R$ 1,5 bilhão por ano que deixaram de ser faturados. Parte desses recursos poderia ser investida no setor.”
Entre as propostas para reduzir a ociosidade das redes de esgoto, elencadas pelo estudo, está, para os prestadores de serviços, estabelecer nos contratos a obrigatoriedade de que o município exija aos usuários a interligação às redes coletoras de esgoto existentes.

 

 

 

Fonte: Diário do Grande ABC

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