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Mancha de poluição do Rio Tietê avança mais de 40% em um ano, diz estudo

Imagem Ilustrativa

O Rio Tietê amargou mais um avanço na sujeira de suas águas entre 2021 e 2022. A mancha de poluição em um ano aumentou mais de 40%, passando de 85 quilômetros para 122 quilômetros nos 55 pontos de medição em sua bacia, conforme monitoramento da Fundação SOS Mata Atlântica. No mesmo período, a extensão da água de boa qualidade despencou de 124 quilômetros no ano passado para 60 na atual medição.

Monitoramento da Fundação SOS Mata Atlântica aponta que sujeira se estende agora por 122km; Estado anuncia nesta quinta programa de mais de meio bilhão de reais

Entre os motivos da perda de qualidade da água estão a transferência de sedimentos contaminados acumulados no reservatório de Pirapora do Bom Jesus para o Médio Tietê. Segundo o relatório Observando o Tietê 2022, esses sedimentos com altas cargas de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) carregam remanescentes de esgotos e de fontes difusas de poluição, como lixo, agrotóxicos, fuligem de carros, entre outros.

Na região metropolitana, o projeto de recuperação do Rio Pinheiros, que faz parte da bacia do Tietê, tem repercussões na qualidade da água e seu modelo de gestão e pagamento das empresas prestadoras de serviço deveria ser levado ao maior rio do Estado, diz Veronesi. “Temos a possibilidade de sermos muito mais céleres (na limpeza do Tietê) e se não aconteceu até agora é porque não fizeram o que como no Pinheiros agora”, afirma. “E isso tem que ser feito seja qual for a gestão ou o governo. Tem de ser um plano de Estado, não de governo.”

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, no período de pandemia, de acordo com o relatório da própria SOS Mata Atlântica 2021, a medição foi prejudicada em razão da diminuição dos pontos e da frequência das análises. Em nota, a pasta do governo estadual afirma que “outros estudos sobre a queda da poluição difusa na Grande São Paulo durante a quarentena, entre os quais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), também mostram que não é possível comparar períodos atípicos.”

A secretaria afirma que não teve acesso ao estudo da SOS Mata Atlântica, mas, que conforme as informações encaminhadas pela imprensa, “é possível constatar recuo de cerca de 25% da poluição comparado ao ano de 2019, quando a mancha foi registrada em 163 quilômetros do rio dos 576 monitorados pela fundação.”

Estado lança projeto com financiamento do BID

Nesta quinta-feira, 22, o governo estadual anunciará que ainda neste mês, São Paulo assinará o contrato do programa Renasce Tietê, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A medida será apresentada em reunião do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), e terá investimentos de US$100 milhões (R$ 517 milhões) do Governo de São Paulo, dos quais US$80 milhões por meio de financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

O projeto engloba a construção e reforma de dois núcleos de educação, cultura, lazer e esporte no município de Salesópolis, onde nasce o Tietê. No local o Estado administra uma área com mais de um milhão de metros quadrados de Mata Atlântica e cerca de 70 espécies de fauna paulista. Será realizado ainda o reflorestamento de 36 hectares de vegetação e matas ciliares degradadas.

O investimento também prevê o fomento à economia circular, capacitação em atividades produtivas com foco na mulher com o objetivo de implementar programas de empoderamento social nos espaços criados pelo projeto para sustentabilidade das ações, além da ampliação do uso de novas tecnologias de controle para o monitoramento qualitativo e quantitativo das águas do rio e o desassoreamento dos pontos críticos na calha e nos principais afluentes. Conforme o Estado, o Renasce Tietê será iniciado em 2023 e ocorrerá paralelamente ao trabalho realizado pela Sabesp.

Fonte: Terra.

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