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Estiagem expõe reflexos dos problemas ambientais no Brasil

Imagem ilustrativa

Em um país que tem água de sobra, não se viu reservatórios com níveis tão baixos em 91 anos. Uma estiagem que expõe os reflexos da crise ambiental, enquanto cresce a demanda por energia, em um momento que reforça o quão dependente a população ainda é da força que passa das turbinas.

Crise hídrica reflete níveis baixos dos reservatórios e dependência de energia por hidroelétricas 

Cerca de 40% do território brasileiro sofre com a estiagem. Isso fez com que hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste do país operassem com a menor capacidade de geração de energia elétrica desde 2000, quando a série histórica começou a ser registrada.

Os reservatórios dessas regiões, considerados a grande “caixa d’água” do setor elétrico brasileiro, chegaram a ter uma média de armazenamento de 12% da capacidade no mês de setembro. Nunca se esperou tanto por uma virada no tempo.

Por conta das chuvas da última semana, os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste tiveram um respiro, e mais nenhuma represa das regiões opera com nível abaixo de 10%. Especialistas dizem que a situação está mais tranquila, mas que ainda requer atenção.

Peso no bolso

Enquanto os níveis não voltam ao normal, a conta pesa no bolso dos consumidores. A bandeira de escassez hídrica levou a bandeira de energia às alturas: R$ 14,20 a cada 100 kWh.

Há 20 anos, 85,6% de toda a energia produzida no Brasil vinha de fontes hídricas. Hoje, o número gira em torno de 65%. Isso porque houve uma diversificação da matriz, o que torna o Brasil menos dependente das hidrelétricas.

Para o professor do departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da USP José Carlos Mierzwa, o crescimento da população requer uma melhor gestão do uso da água.

“O reservatório não é específico para a produção de energia. Então, é preciso ver com quais outros usos você está competindo, e aí precisa priorizar ou encontrar formas alternativas de preservar o recurso hídrico”, disse José Carlos Mierzwa, professor do departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da USP

A seca prolongada afeta não só a produção de energia, mas também a de alimentos, a criação de animais, além de incêndios em florestas. Em algumas regiões, já falta água nas torneiras.

Estudos indicam que a seca pode ser consequência do aquecimento global pela queima de combustíveis fósseis, fenômenos naturais, como um La Niña mais intenso, e o desmatamento na Amazônia.

Um fenômeno mundial

A agência meteorológica da ONU alertou, no início do último mês, sobre uma crise hídrica se não houver reformas urgentes na gestão global da água.

Mudanças climáticas devem acentuar secas e inundações, e o cenário pode ser devastador: 5 bilhões de pessoas correm o risco de ter acesso inadequado à água até 2050.

Fonte: CNN.

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