saneamento basico

Fossa séptica melhora a qualidade de vida e ajuda na preservação

Tecnologia simples muda a relação da agricultura com o meio ambiente.
Zona rural do Rio de Janeiro têm dois modelos implantados.

Uma tecnologia simples e antiga está mudando a relação do agricultor com o meio ambiente, na zona rural do estado do Rio de Janeiro.

Foi só dar atenção ao tratamento do esgoto doméstico que as pessoas passaram a se sentir até mais felizes ao receber uma visita em casa. É o que vem sendo notado a partir do momento que a propriedade ganha uma fossa séptica.

A Região Serrana do Rio de Janeiro é um lugar de paisagem exuberante, água à vontade e que guarda boa parte da história imperial do nosso país.

Leia também : 
Fossa Séptica Biodigestora – Saiba como montar um sistema inovador de esgoto sanitário

Petrópolis tem hoje um dos mais altos índices de tratamento de esgoto do Brasil. O saneamento atinge 80% da população da cidade e uma das estações funciona bem embaixo de um belo jardim.

“O tratamento aqui é um tratamento totalmente biológico, são as bactérias presentes na composição do próprio esgoto que fazem esse tratamento. A qualidade é ambiental, a água não tem qualidade potável. A estação de tratamento é de esgoto, então a qualidade é para entregar ao meu maior cliente, que é o Rio Piabanha”, explica Edson Soares, engenheiro químico, coordenador de operação de esgoto da Águas do Imperador.

Para ser agradável a todos, a concessionária Águas do Imperador, em parceria com a Prefeitura de Petrópolis e a Emater, vem levando esse tipo de tratamento de esgoto também para o campo.

No bairro rural do Bonfim, Marco Antônio Coelho, presidente da associação dos Produtores diz que, até agora, 27 famílias da comunidade receberam a fossa séptica em suas casas e destaca a importância dessa tecnologia para o meio ambiente.

Quantas vezes você escuta o barulho da descarga aí na sua casa?

O gesto é tão corriqueiro que a gente nem se dá conta do destino de uma descarga. Na zona rural, na grande maioria das vezes, o que sai do vaso sanitário vai parar no sumidouro, também conhecido como fossa negra, e o sumidouro nada mais é do que um buraco na terra, sem tratamento e que permite a penetração do dejeto direto no solo.

Ailton da Ponte, agricultor de hortaliça orgânica, está prestes a receber uma fossa séptica na sua propriedade.

Para ajudar na instalação da nova fossa, Ailton chamou o irmão, o filho e também alguns vizinhos. Como as peças vieram pré-fabricadas, o trabalho do agricultor é montar, encaixando os anéis de concreto e ajustando as manilhas.

Paulo Agnaga é diretor de Desenvolvimento Rural da Secretaria de Agricultura de Petrópolis. Segundo ele, o município tem 700 famílias na área rural e o desafio é levar a fossa séptica para todo mundo. “A gente espera talvez em cinco, seis anos conseguir chegar nessa meta. Hoje, saneamento não é uma despesa é um investimento social”, diz.

Leia também :  Governo adota Fossa Séptica Biodigestora desenvolvida na Embrapa como política pública

Cada fossa séptica, desse modelo adotado em Petrópolis, sai por volta de R$ 600 só de material, que é custeado pela prefeitura e pela Águas do Imperador. Em contrapartida, o produtor se responsabiliza pela instalação e pelos itens de acabamento.

Nesse tipo de fossa séptica só entra o material que vem do vaso sanitário. Água de pia e de ralo tem que seguir por outro caminho, devido a presença de detergente e sabão, que matam os microorganismos necessários para a decomposição do esgoto.

O bairro rural do Bonfim tem 75 propriedades de onde saem aproximadamente 34 toneladas de hortaliças por mês e a chegada do saneamento em cada uma dessas casas vai ajudar na preservação do cenário que é de encher os olhos.

A paisagem faz parte do Parque Nacional da Serra do Órgãos, um dos cartões postais da Região Serrana do Rio.

Na visita, será possível degustar os doces artesanais das irmãs Luciana e Andrea Coelho, conhecidas pelos biscoitos amanteigados, pelo doce de batata roxa e pelas cocadas. As receitas que aprenderam com a mãe só fazem sucesso porque as duas não descuidam da higiene.

Está fazendo pouco mais de um ano que a fossa séptica foi construída na propriedade da família da Luciana. Ela está localizada a uns 20 metros de distância da agroindústria e a uns 15 metros do banheiro da casa, que atende 10 pessoas. A instalação foi feita na parte de baixo do terreno para aproveitar o desnível.

“Agora, a gente pode ‘estar expondo’ mais os produtos sem medo porque a gente está de acordo com a legislação ambiental até com a higiene da fábrica, então para a gente foi uma mudança muito boa, muito legal”, diz Luciana.

Saindo de Petrópolis, o destino agora é Santa Maria Madalena, terra de uma das atrizes mais irreverentes que o Brasil já teve, Derci Gonçalves, que tem até estátua na praça central e um túmulo em forma de pirâmide.

Assista ao vídeo com a reportagem completa e conheça as fossas sépticas utilizadas no município, que foram desenvolvidas pela Embrapa e conheça as diferenças do modelo utilizado em Petrópolis.

César Dassie
Do Globo Rural
Fonte: G1

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »