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Com previsão de estiagem severa, PCJ sugere compra extra de insumos para tratar água na região

Com a previsão de estiagem mais severa do que nos dois últimos anos, o Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) sugeriu para as companhias de saneamento da região a compra antecipada de insumos para o tratamento de água.

A medida é recomendável, segundo os especialistas, porque serão necessários mais produtos químicos no tratamento da água, caso a vazão dos rios caia muito no período seco.

Se a estiagem for mais rigorosa, o preço destes produtos pode disparar, segundo a agência PCJ. A instituição recomenda ainda campanhas de uso racional do recurso.

Segundo dados do Consórcio PCJ, o primeiro bimestre de 2018 registrou chuvas equivalentes a 64% do esperado. A previsão eram 440 milímetros, mas choveu 282 milímetros.

O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp informou que, até sexta-feira (16), o acumulado de chuva na estação instalada no distrito de Barão Geraldo era de 42,7 milímetros, sendo que o esperado no mês é de 159,9 milímetros.

Nada impede que nestes 14 dias que faltam chova o esperado”, afirma a pesquisadora do Cepagri Priscila Coltri. A pesquisadora alerta que em janeiro e fevereiro o Cepagri registrou 293 milímetros de chuvas, mas o esperado eram 462 milímetros.

A pesquisadora do Cepagri ressaltou que no momento não há indicação de anormalidade no tocante às chuvas sobre os meses de abril, maio e junho.

Campinas e Sumaré

Em Campinas (SP), a Sanasa informou ao G1 fazer o planejamento da compra de insumos. Caso seja necessário, o aumento será feito.

A BRK Ambiental, empresa responsável pela água de Sumaré (SP), disse que faz o controle rigoroso da compra de insumos. A concessionária diz que fará o aumento ser for preciso.

Vazão menor no Rio Atibaia

Nas duas cidades, as captações no Atibaia registraram vazões menores este ano em relação a 2017, mas a situação não é alarmante no momento, segundo os técnicos.

De acordo com a Sanasa, em janeiro deste ano a vazão mínima em m³/s foi de 20.51 no Rio Atibaia -responsável por 95% do abastecimento de Campinas. A vazão havia sido de 58.84 m³/s um ano antes.

Houve queda ainda na vazão máxima de janeiro. O registrado no início do ano foi de 51,57 m³/s, contra 106 m³/s há um ano.

Em fevereiro último, nova queda de volume de vazão no Rio Atibaia foi registrada pela Sanasa.

A mínima oficial foi de 12,56 m³/s, enquanto no ano passado foi de 38.32 m³ . Na máxima, outra redução. Foram constatados 58,59 m³/s em 2018. No ano anterior havia sido 63,73 m³/s.

Vazão do Rio Atibaia em Campinas

Janeiro Fevereiro
2018 Min: 20.51 m³/s e Max: 51.57 m³/s Min: 12.56 m³/s e Max:58.59 m³/s
2017 Min:58.84 m³/s e Max: 106 m³/s Min: 38.32 m³/s e Máx: 63.73 m³/s

Sumaré

Em Sumaré (SP), a vazão registrada do Rio Atibaia no primeiro mês do ano foi de 40,59 m³/s. O rio teve vazão de 54,64 m³/s em janeiro de 2017. Sobre fevereiro, segundo a BRK Ambiental, a vazão foi de 31,31 m³/s , mas havia sido de 49,20 m³/s no ano anterior.

Apesar da vazão menor, a empresa alega que a situação é boa porque a vazão para captação máxima é de 0,8 m³/s.

Hortolândia e Indaiatuba

A Sabesp, responsável pelo abastecimento de Hortolândia (SP), informou ter passado pela crise hídrica de 2014-2015 sem problemas com insumos para tratamento de água. Segundo a companhia, o planejamento do uso dos produtos mantém contratos de demanda constantes para aquisições dos insumos.

Em Indaiatuba, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) construiu uma barragem para regularizar a vazão do Rio Capivari-Mirim e possibilitar a reserva de 1,3 bilhão de litros de água. Desta forma, a cidade tem a captação assegurada, mesmo em tempos de estiagem e a quantidade de insumos não altera.

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O Saae também informou que o Rio Jundiaí é o único que demandaria um aumento do consumo de cloro gás, utilizado em seu pré-tratamento, porém esse insumo não pode ter volume de armazenagem superior ao autorizado pelo Exército Brasileiro.

A empresa faz licitações para compra de insumos estipulados para consumo em 12 meses. O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Americana, mas a administração não se manifestou ainda.

Estiagem

Segundo a agência PCJ, o fenômeno climático Lã Nina – que reduz a temperatura das águas do Oceano Pacífico– refletiu no volume de chuvas no primeiro bimestre. Isso indica uma estiagem mais rigorosa neste ano. Mas a agência alerta que a situação, no momento, não é para pânico.

Em janeiro, a região recebeu 212 milímetros em precipitações, sendo que a média esperada é de 255 milímetros.

A situação nas bacias PCJ se agravou com os 70 milímetros registrados em fevereiro. A média histórica aponta que no segundo mês do ano são esperados 185 milímetros.

1,5 mil milímetros por ano

Dados do Consórcio PCJ apontam ser de 1,5 mil milímetros o acumulado de chuvas na região das Bacias do PCJ, mas este patamar só foi alcançado em 2011.

Em 2012, o valor chegou a 1.460,5. Um ano depois, o registrado ficou em 1.110,11 milímetros. O ano de 2014 foi o mais crítico com 874,63 milímetros, o ápice da crise hídrica.

Em 2015, as bacias PCJ somaram 1.283,88 milímetros. Em 2016, 1.468,45 milímetros. De acordo com os dados da agência, em 2017, o valor caiu para 1.306,70 milímetros.

Verão menos chuvoso em Campinas

Esse é o verão com menos chuva desde 2014 em Campinas, de acordo com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri). Um dos reflexos ocorre no preço de alguns alimentos, que tiveram aumento de até 42%.

No levantamento pluviométrico foram considerados os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. O volume esperado para o período era de 688 milímetros.

Fonte: G1 – Campinas e Região

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