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Após obra de interligação, São Caetano não dependerá mais do Cantareira para abastecimento

São Caetano, que é 100% abastecida pelo Cantareira – o mais crítico dos mananciais, operando com 19,7% da capacidade –, não dependerá mais do sistema após a conclusão da obra de interligação do Rio Grande (braço produtor de água da Billings) ao Alto Tietê, iniciada ontem. O anúncio foi feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em evento às margens da represa, em Rio Grande da Serra.

Com o bombeamento, as regiões que hoje recebem água do Cantareira serão atendidas pelo Alto Tietê, que também está em situação crítica, registrando volume de 22,4 % da capacidade. O Rio Grande, por sua vez, atua com 95,1%. Além do município da região, diversos bairros da Zona Leste da Capital serão beneficiados pela obra, totalizando 1,5 milhão de pessoas.

A ação, realizada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), vai transferir 4 m³/s de água ao longo de 22 quilômetros de tubulações, passando por Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Suzano. Com previsão de entrega para setembro, o investimento, integralmente feito pela empresa, é de cerca de R$ 130 milhões.

O projeto inclui a instalação de bombas para transportar o líquido 80 metros acima, superando o morro que divide o Grande ABC (onde fica o Sistema Rio Grande) de Suzano (no Alto Tietê). Conta também com duas adutoras paralelas, cada uma com diâmetro de 1.200 milímetros, que vão levar o recurso hídrico por quase 11 quilômetros até o Córrego Taiaçupeba-Mirim. Por esse curso d’água, o volume avançará mais 11 quilômetros, chegando até a Represa Taiaçupeba, onde fica a estação de tratamento de água do Sistema Alto Tietê.

Indagado se a manobra traz risco de que outras cidades sofram problemas de abastecimento, o governador garantiu que não. “A Billings é gigante, impressionante o tamanho da represa. Aliás, o que o mundo todo faz hoje para ter mais segurança hídrica é a integração de bacias.”

Desde o dia 13 de abril, o Sistema Rio Grande começou a abastecer, pela primeira vez, bairros da Capital, por meio de adutora construída pela Sabesp. Para enfrentar o período da estiagem de inverno, outras duas obras estão sendo feitas: uma que captará 1 m³/s de água do Rio Guaió para a Represa Taiaçupeba, prevista para ser concluída neste mês; e mais 1 m³/s da Guarapiranga para a ETA (Estação de Tratamento de Água) Boa Vista.

PEDIDO

O prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (PSDB), aproveitou a presença do governador na cidade para pedir a possibilidade de viabilização da volta do espelho d’água na entrada do município, atualmente assoreado. “Um caminho seria fazer uma dragagem e elevar o espelho d’água. Além de ter uma reserva técnica, a gente poderia explorar isso no quesito do Turismo, ligado a esporte náutico, inclusive interligando Rio Grande da Serra com toda a região da Billings”, falou. A proposta será analisada.

Para governador, pronunciamento em rede nacional deveria ser extinto

Durante o evento em Rio Grande da Serra, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou desejar o fim dos pronunciamentos em cadeia nacional. A fala relaciona-se à ausência da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), nas emissoras de rádio e televisão com a tradicional mensagem ao Dia do Trabalhador, celebrado no dia 1º. Neste ano, a iniciativa limitou-se à publicação nas redes sociais.

“Acho que a presidente Dilma acertou em não fazer o pronunciamento e deve aproveitar para abolir esse tipo de coisa do passado. Sou contra essa ‘fala do trono’, essa questão de invadir a casa das pessoas para falar platitudes ou fazer proselitismo político. Isso não é necessário e deveria ser abolido.”

Perguntado se a atitude da petista não é um sinal de que o governo federal está acuado, ele respondeu que “cada um pode interpretar de uma forma” e reiterou: “Deveria aproveitar e encerrar isso, porque não se justifica estar periodicamente em cadeia nacional para ouvir proselitismo político.”

 
Fonte: Diário do Grande ABC

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