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Com Lava-Jato e popularidade e economia em queda, uma semana dura para Dilma

Com o pesado noticiário negativo para o governo e seu principal partido que tomou conta da imprensa na sexta-feira e culminou no domingo com a divulgação pelo DataFolha da última pesquisa sobre a aceitação do governo pela população, a previsão é de que o clima de hoje na reunião do Conselho Político do governo, com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto suba muitos graus além do nível de ebulição normal que cercam esses encontros, com as constantes cobranças da presidente a seus auxiliares políticos.

Na sexta feira o caldeirão político começou a ferver logo de manhã com a prisão em mais uma etapa da Operação-Lava Jato, de executivos das empreiteiras Odebretch e Andrade Gutierrez, entre eles presidentes, respectivamente Marcelo Odebretch e Otávio Azevedo.

Mais uma vez o governo foi surpreendido com a notícia sobre as prisões e no mundo oficial comentava-se, com lamentos, que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, perdeu de vez o controle da Política Federal. Ele só soube da operação Erga Omnes quando ela já estava para ser deflagrada.

A ação da PF assustou por algumas de suas prováveis conseqüências:

A possibilidade de as investigações da Operação Lava-Jato se aproximarem mais do PT, de Lula e da própria campanha da presidente Dilma Rousseff, dada a proximidade dos dois presidentes das empreiteiras presos, principalmente Marcelo Odebretch, com Lula e o Palácio do Planalto. As duas empresas financiaram também a oposição.

Os efeitos sobre a confiança dos credores externos no Brasil, principalmente sobre as possíveis concessões de infraestrutura. Pode influenciar também a própria participação da Odebretch e da Andrade Gutierrez, as duas maiores empreiteiras brasileiras, nas concessões. A agência de classificação de riscos Moody’s já colocou a nota das duas empreiteiras sob revisão.

Os sobre o crédito dos bancos, em razão dos financiamentos às duas empresas. Não se teme um calote ou coisa parecida, mas teme-se uma retração maior ainda na concessão de empréstimos.

O efeito dominó disso tudo sobre a economia, já numa situação extremamente delicada, como mostram três outras notícias da sexta-feira – inflação em alta, crescimento em queda, desemprego em alta.

Avaliação só melhor que a de Collor

Para culminar, veio no domingo a divulgação pelo DataFolha de uma pesquisa de avaliação do governo, mostrando que as ações dos últimos meses do Palácio do Planalto, para fazer a presidente mais presente na mídia e apresentar-se mais em de inaugurações, e os lançamentos de alguns programas da chamada “agenda positiva”, como o Plano Safra e o Programa de Investimentos em Logística, não ajudaram a aumentar em nada as notas positivas da presidente.

Pelo contrário, a avaliação do governo continuou caindo. Agora, 65%  dos entrevistados consideram ruim e péssima a ação da presidente, contra 60% na pesquisa anterior, índice superior apenas ao do ex-presidente Collor no auge da temporada do impeachment, com 68% negativos… A nota para bom e ótimo de Dilma ficou em 10% (13% anteriormente).

Especificamente sobre o ajuste fiscal, que encontra fortes resistências nos próprios aliados e nas centrais sindicais, 63% dizem que ele afeta mais pobres, 29% que ele afeta igualmente ricos e pobres e apenas 3% que ele afeta mais o mais rico. As razões principais, segundo análise de Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do DataFolha, foram a insegurança com salário e emprego.

A única reação pública oficial foi do ministro da Comunicação, Edinho Silva que disse que é hora do governo ter humildade.

Por incrível coincidência, o jornal “O Globo” de sexta-feira trazia uma reportagem sobre uma palestra feita por Lula para líderes religiosos, comentada pela “Folha” e pelo “Estadão” de domingo, na qual ele disse que o PT, ele e Dilma estão no fundo do poço (usou a metáfora “volume morto”) e fez pesadas queixas em relação ao comportamento da presidente.

Imposto maior sobre heranças e doações

O site do PT desde ontem traz uma matéria dizendo que os militantes petistas não devem acreditar em “boatos”, referindo-se a informações/análises sobre mais esta etapa da Operação Lava-Jato.

Os novos detidos na Operação começarão a depor a partir de hoje. Segundo também o “Globo”, citando o delegado Igor Costa, da PF, um dos integrantes da Lava-Jato, há indícios suficientes para pedir a incriminação de todos eles esta semana ainda.

É debaixo desse clima que o governo tentará votar esta semana a proposta de aumento da contribuição empresarial para a Previdência, na chamada “reoneração” tributária. Sem as alterações que o relator quer impingir.

Depois disso, vai começar a aprofundar as discussões a respeito da redução da meta de superávit primário para este ano de 1,1%do PIB para 0,8% ou 0,9%. Porém, mesmo que o ministro da Fazenda consiga aprovar o seu projeto de “reoneração”, parece difícil chegar a um número minimamente satisfatório, palatável para os agentes econômicos, de superávir primário sem novas fontes de arrecadação.

Assim, a criação (ou aumento) de algum imposto é praticamente certa. A volta da CPMF, como se diz popularmente, subiu no muro. O “Valor Econômico de hoje informa que o governo está desenhando uma proposta para aumentar o imposto estadual sobre as heranças e doações e partilhar a arrecadação com a União e os municípios, reservando a maior fatia para os governadores.

 

Fonte: Info Money

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