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Futuro da Cedae gera polêmica e divide governo do Rio

A privatização do serviço de saneamento se tornou assunto polêmico no governo do Rio e enfrenta resistência. As vozes contrárias ao projeto incluem o presidente da Cedae, Jorge Briard, o governador licenciado, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (PSB). Na cúpula do governo do Rio, o tema tem sido tratado com cuidado. Um dos maiores entusiastas da ideia, o governador em exercício, Francisco Dornelles, tem evitado o termo privatização, passou a adotar a palavra concessão. Dornelles tem o apoio do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani.

Nos bastidores, pessoas próximas ao presidente da Cedae, que é engenheiro e funcionário de carreira, dizem que a avaliação é que a empresa entregaria à iniciativa privada a parte mais lucrativa de sua operação. O estado seria fatiado em quatro áreas geográficas, e a distribuição de água, a coleta e o tratamento de esgoto ficariam a cargo de concessionárias.

PREOCUPAÇÃO COM O CAIXA

Outro fator de preocupação, segundo fontes próximas da empresa, é que os investimentos de R$ 3 bilhões feitos pela Cedae em obras na Baixada Fluminense têm como garantia contratual a arrecadação com os serviços prestados em áreas como Zona Sul, Barra, Recreio e Jacarepaguá, responsáveis por fatia significativa do faturamento.

Pezão defende que seja feita a concessão apenas dos serviços de esgoto na Baixada Fluminense e em São Gonçalo, já que o estado não tem capacidade de fazer mais investimentos devido à crise. O governo acredita que a concessão pode ser uma oportunidade para que seja instituída uma nova taxa, atraindo o interesse da iniciativa privada.

Caso o governador licenciado volte em outubro, a tendência é que o projeto caminhe mais devagar. Segundo fontes, Pezão acredita que a companhia vale pouco hoje: cerca de R$ 4 bilhões, sem contar as dívidas. O secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, Moreira Franco, estimou, semana passada, que a privatização renderia aos cofres do estado R$ 1,5 bilhão.

Os trabalhadores da empresa se opõem à mudança. Para protestar contra a proposta, sindicatos e associações organizaram manifestação para o próximo dia 6, às 15h, em frente à sede do BNDES, no Centro do Rio, com a mensagem “A água é nossa”. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente do Rio de Janeiro e Região (Sintsama-RJ), Humberto Lemos, o objetivo é explicar à população que os mais prejudicados serão os que vivem em regiões mais carentes:

— Vão pegar o filé mignon da Cedae e não vão investir nas áreas mais carentes.

Para Lemos, não há informações claras sobre o projeto, e a mudança exigiria um amplo debate. Ele teme haver demissões caso o serviço seja privatizado.

Fonte: O Globo

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