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Como a tecnologia está sendo usada para resolver os grandes desafios ambientais

Acompanhar o resíduo que sua empresa de ponta a ponta de maneira transparente, usar a inteligência artificial para examinar água e outros recursos naturais, ou mesmo ajudar a monitorar com eficiência espécies em extinção.

Tudo isso é possível no século XXI. A revolução 4.0, com todas as suas novidades – inteligência artificial, blockchain, big data, armazenamento em nuvem – chegou para transformar os negócios. Essas ferramentas, além de ótimas aliadas para a produtividade das empresas, chegam também para renovar o mundo da sustentabilidade.

A tecnologia pode, sim, ser uma ótima aliada daqueles que se preocupam com o futuro do meio ambiente. Através da inovação, desde empresas grandes como a Microsoft até startups com menos de dois anos de operação como a Plataforma Verde buscam resolver desafios ambientais gigantescos.

Digitalizando o lixo com o blockchain

Uma base de dados única que reúne informações sobre a gestão de resíduos das empresas e que também pode ser acessada pelo poder público a fins de fiscalização e controle da destinação do lixo. A PlataformaVerde é um software online que gerencia resíduos sólidos, com controle por parte de todos os envolvidos no processo: geradores, transportadores e receptores de resíduos. O sistema é online, armazenado em nuvem, e pode ser acessado de diversos dispositivos. O registro da informação é feito em blockchain, o que garante a transparência de todo o processo. Além disso, as empresas podem também controlar quem acessa as informações ou que dados quer compartilhar.

A ideia é rastrear para onde vai o lixo e inibir o descarte incorreto, segundo Chicko Sousa, Líder Rebelde da empresa. “Sempre brinco que resíduo tem pernas, ele sempre está em movimento e passa por diversos entes na cadeia de destinação: gerador, transportador, depósito, gerenciador, tratamento e disposição final. A mesma informação sobre a característica de um resíduo, seu volume e destino acaba sendo necessária para diversos entes da cadeia e ela sempre está lá repetida em sistemas, planilhas e HDs que estão isolados e não se conversam. A PlataformaVerde acaba gerenciado toda essa cadeia em uma única rede de bancos privados, sem repetir a mesma informação. Ela é compartilhada e validada entre todos esses entes, dando transparência e agilidade ao processo”, explica.

O desenvolvimento da tecnologia surgiu em 2015, junto às concessionárias de limpeza urbana da cidade de São Paulo. A ideia era organizar a cadeia de gestão os resíduos da coleta seletiva municipal. Sousa conta que a equipe percebeu que o desenvolvimento deste software também poderia ser usado como produto para empresas. “Procuramos a Renault do Brasil para efetuar o piloto dentro de um ente privado. Com a ajuda da empresa, efetuamos diversas modificações processuais no software, convertendo-o em um BaaS (Blockchain as a Service). Após um ano de piloto com a Renault em 2016, criamos o nosso MPV [produto mínimo viável] e abrimos para o mercado em janeiro de 2017, com apenas 1 cliente”, conta. Hoje, são mais 1.300 clientes na Plataforma, como a Renault, Eurofarma, Scania, Riachuelo e Mondelez.

A tecnologia, além do propósito ambiental, também ajuda as organizações a entenderem seus custos com o gerenciamento de resíduos e ajuda a otimizar esses gastos: “O sistema controla e gerencia prazos e processos dos atendimentos legais necessários para a gestão dos resíduos. Desta forma, o gestor acaba ganhando o tempo que ele gastava para controlar e o direciona para tomar ação. Temos casos de clientes que melhoraram a performance financeira da gestão de seus contratos acima de 60%”.

Para o município, o ganho é em processo de fiscalização e tempo: é possível controlar os resíduos dos entes privados, direcioná-los aos destinos corretos e legalizados e contribuindo com a limpeza urbana. Inclusive, a startup doa o software a qualquer município com mais de 500 mil habitantes – o primeiro foi para a cidade de São Paulo.

“Tudo está interligado de uma forma tão intrínseca que todas as soluções precisam e devem ser compartilhadas. A tecnologia vem para eliminar essas barreiras e reduzir suas fronteiras. Precisamos pegar o que há de melhor em soluções de controle, tratamento, redução de desperdícios e otimização de processos. O blockchain é mais do que o mundo financeiro, ele é a extensão de um mundo colaborativo e transparente. Sempre digo, o nosso objetivo é digitalizar o lixo e não estamos sozinhos”, finaliza. A organização concorreu ao Prêmio ECO de Sustentabilidade da Amcham em 2017.

Inteligência artificial

Outra aposta de inovação em prol da sustentabilidade é a Inteligência Artificial (IA). A Microsoft criou o programa AI for Earth (Inteligência Artificial para a Terra), iniciativa que aplicará U$ 50 milhões nos próximos cinco anos para colocar a ferramenta em organizações que trabalham pela sustentabilidade. A IA pode ser usada para medir com precisão condições de ar, água e solo, capturando esses dados rapidamente e fornecendo informações para soluções ambientais.

O programa atua em quatro áreas principais: clima, água, agricultura e biodiversidade. A primeira etapa consiste em aplicar capital semente para que as organizações em todo o mundo criem e testem aplicações diferentes para a IA. Os melhores projetos continuarão recebendo investimentos mais altos para escalar soluções promissoras e criar impacto rapidamente. A Microsoft, através de seu site, afirma que já concedeu 110 subsídios em 27 países.

Para receber o benefício, as organizações podem enviar suas propostas via formulário online durante todo o ano. A empresa revisa as propostas quatro vezes por ano: neste ano, o prazo final para avaliar é oito de outubro. No formulário, é preciso descrever o desafio que se pretende abordar, conjuntos de dados a respeito do tema, a solução técnica pensada e o potencial impacto que ela poderá causar.

Uma das bolsas concedidas é ao Snow Leopard Trust, organização que luta pela proteção aos leopardos-das-neves, espécie que é tão rara que só é possível estudá-los através de câmeras remotas. A solução de inteligência artificial atualmente ajuda os cientistas a separarem essas fotos. São cerca de 200 a 300 mil imagens geradas – o que gerava um trabalho grande para classificar e separar as fotos com os leopardos. Agora, com a tecnologia, é possível automatizar esse trabalho em poucos minutos, economizando horas de trabalho e esforço da ONG.

Fonte: Estadão

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