Os dados foram obtidos após 60 dias de uso da tecnologia. A Sabesp opera cerca de 9 mil elevatórias de esgoto, formando a maior malha de bombeamento da América Latina
A análise preliminar dos primeiros 60 dias de operação do monitoramento de bombas de esgoto na Sabesp, oferecido pela startup 2Neuron com o uso de inteligência artificial, revelou que o potencial anual de economia é de R$ 3,17 milhões. Este valor é composto por uma perda energética invisível de cerca de R$ 1,16 milhão/ano, que agora é monitorada e passível de correção, somada a uma projeção de R$ 2,01 milhões/ano em falhas inesperadas de conjuntos motobomba que são evitadas pelo diagnóstico antecipado do Ultronline.
Os resultados foram apresentados para a diretoria da Sabesp na primeira semana de dezembro. Por enquanto, apenas 1% do total de bombas de esgoto espalhadas por 63 das mais de 9 mil estações da empresa está sendo monitorado. A ideia é reinvestir o valor economizado e ampliar o monitoramento.
A tecnologia disruptiva utiliza inteligência artificial para interpretar os sinais elétricos das máquinas, sem necessidade de sensores adicionais. Dessa forma, consegue antecipar falhas nos equipamentos, antes que ocorram, além de medir e otimizar a eficiência energética. As falhas não detectadas podem causar transbordamentos; deterioração de cursos d’água; multas milionárias; mortes de fauna; sobrecarga de equipes e degradação acelerada dos ativos.
“O levantamento mostra que o sistema já apresenta uma relação benefício/custo de 4,92 para 1, ou seja, cada R$ 1 investido retorna R$ 4,92, e isso sem sequer considerar benefícios adicionais como a redução de multas, o prolongamento da vida útil dos ativos e a queda na indisponibilidade operacional”, destaca Gabriel Coimbra Carvalho, cofundador e CEO da 2Neuron.
Ao longo dos dois primeiros meses de monitoramento, o sistema gerou 4.374 alarmes técnicos, sendo 152 alertas por dia. Os diagnósticos oferecidos pelo Ultronline estão associados a um risco de queima de bombas de esgoto no valor de R$ 7,66 milhões, a um risco ambiental de R$ 17 milhões em multas, e a perdas energéticas de R$ 96 mil por mês.
Segundo o executivo, quando foi desenvolvido o novo conceito de manutenção preditiva sem a instalação de sensores, um dos mercados alvo foi o de saneamento, justamente porque várias máquinas operam submersas, ou seja, não há como usar sensores. “A manutenção preditiva surgiu há 60 anos, com sensores de vibração e temperatura. No começo os sensores eram cabeados, depois conectados com IoT (Internet das Coisas), mas parou por aí”, disse Carvalho. A tecnologia trazida pela 2Neuron é uma revolução nesta área.
O produto
Um equipamento do tamanho de um celular é instalado no painel de energia da empresa e faz a leitura dos sinais elétricos do acionamento do motor e, com a ajuda da inteligência artificial, interpreta os sinais elétricos das máquinas, sendo capaz de apontar futuras falhas mecânicas, o que ajuda a evitar paradas, e analisar a eficiência energética, abrindo possibilidade para ajustes que podem representar economia significativa para o negócio.
Saiba mais sobre a 2Neuron
Fundada em 2021 em Vitória (ES) por dois amigos de infância — Yves Luduvico Coelho, doutor em engenharia elétrica com sólida experiência em algoritmos de inteligência artificial e processamento de sinais, e Gabriel Coimbra Carvalho, engenheiro mecânico com experiência em manutenção industrial e no desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial — a 2Neuron nasceu com o desafio de criar um novo conceito de manutenção preditiva, sem a necessidade de instalar sensores diretamente nas máquinas.
Com o primeiro aporte de R$ 1 milhão, a startup construiu um laboratório próprio e desenvolveu o Ultronline, dispositivo inovador capaz de interpretar o sinal elétrico dos equipamentos por meio de inteligência artificial. Pequeno como um celular e instalado diretamente no painel elétrico, o Ultronline analisa as variações dos campos eletromagnéticos de motores de indução trifásicos e entrega, em um dashboard intuitivo, diagnósticos de possíveis falhas mecânicas e elétricas, além de métricas detalhadas de eficiência energética.
Tudo isso sem necessidade de baterias, eliminando manutenções adicionais e garantindo máxima confiabilidade. Antes mesmo do segundo aporte, a solução já estava validada em campo, monitorando 80 máquinas em operação real e comprovando sua eficácia em ambientes industriais e de saneamento. Em 2024, com a chegada do segundo aporte de R$ 3 milhões, a 2Neuron avançou da etapa de validação para a consolidação comercial da tecnologia, ganhando estrutura para escalar sua presença em setores estratégicos como saneamento, siderurgia, celulose e mineração. Hoje, companhias como ArcelorMittal, Vale, Dexco e Sabesp já utilizam o Ultronline, que se mostra capaz de transformar a gestão de ativos críticos ao antecipar falhas e otimizar o consumo energético em grande escala.
Fonte: 2neuron