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Crise mundial dos resíduos plásticos pede novos hábitos de consumo

Os dados que desenham este cenário sombrio e perigoso foram divulgados, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça

Imagine dar um mergulho no mar e encontrar, ao invés de peixes, plásticos? Triste, né? Porém é o que pode acontecer nos oceanos do mundo até 2050, caso o consumo de plástico não seja ­reduzido.

Os dados que desenham este cenário sombrio e perigoso foram divulgados em 2016, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

De acordo com o estudo, a proporção de toneladas de plástico por toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014, será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.

A crise mundial dos resíduos plásticos se deve, principalmente, aos modelos de produção das embalagens que não fecham um ciclo.

Reciclagem do plástico

“Pra criar qualquer coisa de plástico é gasto um recurso não renovável, porque o plástico convencional vem do petróleo. As indústrias gastam água, energia, dinheiro em uma enorme demanda pra criar embalagens que, ao fim da vida útil, irão para o lixo. Então, o grande problema não é o uso do plástico e sim o mau uso que a gente dá depois que usamos os produtos”, acredita o biólogo Pedro Trasmonte.

Ele explica que a própria indústria deveria dar uma solução para as embalagens que cria, mas isso não acontece. “A maioria diz para mandar para a reciclagem, mas só ela não dá conta de tudo o que consumimos. Os fabricantes precisam investir em embalagens retornáveis, por exemplo, você usa um shampoo e quando ele acabar leva de volta para o fabricante para que ele a insira novamente em sua cadeia”, ­detalha.

Outro exemplo são as sacolas plásticas sem uso prolongado. A cada ano, 500 bilhões são usadas ao redor do planeta. Quando descartadas, a maioria chega aos oceanos e acaba sendo confundida com alimentos por peixes e animais marinhos. Com isso, já há registro de plástico também na ­alimentação humana.

Poluição por plástico

A poluição por plásticos é tão grave que foi o tema escolhido este ano pela Organização das Nações Unidas. A campanha da ONU Mares Limpos (Clean Seas), especificou a questão dos microplásticos, partículas que medem menos de 5 milímetros e são frutos da decomposição dos plásticos e de esfoliantes presentes em cosméticos e até em pastas de dente. Atualmente há, pelo ­menos, 51 trilhões de partículas de microplásticos nos ­oceanos.

“Este tipo de resíduo é ainda mais problemático porque uma vez na natureza, é praticamente impossível a remoção dele. Eu desconheço qualquer técnica que consiga remover o microplástico do meio marinho”, explica o biólogo.

Política de retornáveis

Pedro observa que a política de retornáveis ainda é um nicho muito pequeno e acaba restrita no setor de bebidas.

“As embalagens de uso comum não tem destinação: um pacote de macarrão, uma escova de dente, a gente não sabe o que fazer com isso então vai tudo para o lixo”, diz.

Substituições

Enquanto as empresas não aplicam a logística reversa na venda de seus produtos, cabe aos consumidores escolher as marcas que já oferecem mercadorias biodegradáveis e substituir sempre que possível o que for de plástico.

Atualmente, já é possível encontrar bioglitter para pular o carnaval sem poluir o meio ambiente, as clássicas sacolas retornáveis, abolir o uso de canudos plásticos, recolher os resíduos do bichinho de estimação com papel e não saquinhos plásticos e, para as mulheres, dar uma chance ao coletor menstrual ao invés de ­absorventes.

Esperança ‘bioplástico’

“Não podemos esquecer os benefícios que o plástico trouxe pra nossa sociedade, como manter produtos não perecíveis por muito mais tempo, embalagens mais leves, equipamentos eletrônicos, mas temos que caminhar para o futuro. Então da mesma forma que o plástico veio pra transformar a sociedade, precisamos dar outro salto agora e nos apropriarmos das alternativas que já existem e deixar o plástico de lado”, declara Pedro.

Nesse sentido, a esperança está nos bioplásticos, produzidos com base em fontes renováveis e biodegradáveis. A nova tecnologia ainda engatinha nos laboratórios, mas é uma alternativa para o contínuo desenvolvimento da humanidade.

Fonte: Diário do litoral

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