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Reciclagem Energia Resíduos

Debatedores defendem reciclagem e aproveitamento energético de resíduos

Reciclagem Energia Resíduos

Primeiramente a adoção de ações que favoreçam a reciclagem e a destinação correta do lixo contribuem para o desenvolvimento, para uma economia menos dependente de combustíveis fósseis e para a preservação ambiental diante das ameaças geradas pelo aquecimento global. A avaliação é dos convidados que participaram na terça-feira (7) de audiência pública interativa na Comissão de Meio Ambiente (CMA) sobre o cumprimento das metas de recuperação energética de resíduos sólidos no país.

A audiência foi realizada por iniciativa do senador Jorge Seif (PL-SC), que presidiu o debate. Uma segunda audiência pública sobre o tema está prevista para 21 de maio.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) foi instituído pelo Decreto 11.043, de 2022 e é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305, de 2010).

— Estamos discutindo soluções de produção de energia elétrica e destinação de resíduos sólidos, lixo. O mundo ideal seria que nós separássemos todo o lixo das nossas casas, metal, papel, orgânico, mas é um trabalho de longo prazo, e nós precisamos pensar alternativas para esse lixo. Hoje muitas vezes esse lixo vai parar em lixões que, além de poluir o meio ambiente, poluem também solos e águas. Estamos pensando alternativas já utilizadas em outras partes do mundo para nos inspirarmos e buscarmos soluções. Hoje todas as cidades já cobram taxas de lixo. São três mil lixões no Brasil. Ou seja, além de não ser a destinação correta, poluem, e poderíamos usar todo esse lixo para fazer algo positivo, como energia — defendeu Jorge Seif.

Valorização dos resíduos

Então Presidente-executivo da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), Yuri Schmitke Almeida Belchior Tisi defendeu soluções tecnológicas sustentáveis para valorização de resíduos e a mitigação de metano no Brasil. Ele destacou que a legislação brasileira determina o tratamento do lixo urbano, que se dá por meio da compostagem, da reciclagem, do tratamento térmico e biológico, destinando aos aterros somente materiais inertes, ou seja, aqueles que não vão produzir metano ou contaminar os recursos hídricos.

— As usinas de recuperação energética por combustão reduzem em 8,4 vezes as emissões de gases de efeito estufa quando comparadas aos aterros com os melhores captadores de metano. Isso é alarmante. Hoje, o metano é um gás de efeito estufa persistente, há um aquecimento global em andamento causando catástrofes, e a recuperação energética trabalha para mitigar essas ações. Quarenta por cento do nosso resíduo vão para aterros não sanitários, lixões e aterros controlados. É disposição inadequada. Isso acontece desde 2010. A quantidade, inclusive, aumentou, saiu de 25 milhões de toneladas/ano para 30 milhões. Em percentual, a gente olha e parece que diminuiu, de 43% para 39%, mas, em quantidade, aumentou 25%  — afirmou.

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Recuperação energética

Mas a geração de resíduos sólidos urbanos no Brasil atinge 156,5 milhões de toneladas por dia, das quais 18,35 milhões recebem tratamento. O país conta com 137 unidades de recuperação energética, que estão concentradas em São Paulo (45) e no Paraná (23). Os diferentes tipos de unidade dividem-se em incineração de resíduos sólidos, aterro sanitário com recuperação de biogás, incineração e coprocessamento e aterro sanitário com reciclagem.

Em conclusão entre os desafios do Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, ela citou a grande disponibilidade de fontes elétricas baratas e baixa demanda incremental por calor para cogeração e o mercado de eletricidade, regido por sistema de leilões, além da capacidade de substituição das fontes tradicionais de energia térmica para a demanda existente e, face à sua valoração, a competitividade da eletricidade coproduzida.

Extremos climáticos

Portanto o secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Adalberto Felício Maluf Filho, disse que não adianta se adaptar aos efeitos climáticos extremos ou trabalhar para mitigar os gases do efeito estufa, e defendeu a transformação ecológica da economia.

— A gente tem que sair dessa economia linear baseada no combustível fóssil, que usa, rejeita e joga todas as coisas fora e, obviamente, isso gera um problema ambiental enorme. A gente tem que caminhar cada vez mais com a circularidade dos materiais, seja no ciclo biológico, seja no ciclo industrial. Não é à toa que o Senado se debruçou sobre essa matéria e aprovou recentemente a Política Nacional de Economia Circular. A matéria foi para a Câmara. Espero que a Câmara consiga andar com a velocidade necessária. Espero que a gente tenha essa sensibilidade da Câmara Federal para debater esse tema tão importante — afirmou.

Reciclagem

Em suma Presidente da Alcaplas Indústria de Plásticos, Alceu Lorenzon defendeu a reciclagem e a consolidação da logística reversa, que se caracteriza por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento em seu ciclo, em outras etapas produtivas ou para destinação final ambientalmente adequada.

— Quarenta por cento dos municípios ainda não fazem a coleta adequada dos resíduos. No mínimo dois terços dos resíduos podem ser reciclados. Os resíduos têm valor agregado em que se pode facilmente transformar em novos produtos — afirmou.

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Aquecimento global

Então o Diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Osvaldo Luiz Leal de Moraes disse que o aumento excessivo da frequência e intensidade dos desastres climáticos, o contínuo aumento das emissões de gases do aquecimento global e a sustentabilidade do planeta estão interligados à questão dos resíduos sólidos.

— Os compromissos que a humanidade está fazendo com o planeta ainda são inferiores àqueles compromissos que deveriam ser necessários para atenuarmos as emissões de gás de efeito estufa e, consequentemente, pararmos com o aquecimento global. A temperatura do planeta já é 1,7 grau acima da temperatura da época industrial. E nós vamos nos aproximar em 2030 da temperatura de dois graus Celsius. O que está acontecendo agora no Rio Grande do Sul não é um fenômeno isolado, é um reflexo de uma série de eventos que estão sendo determinados pela maneira que nós estamos considerando o planeta. Nós somos os vilões do que está acontecendo — concluiu.

Fonte: Agência Senado.

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