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Pesquisadores USP Lixo

Pesquisadores da USP se surpreendem com lixo a 200 km da costa brasileira

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Pesquisadores da USP que investigam espécies do fundo do mar na costa brasileira fizeram uma descoberta espantosa e preocupante.

Barata do mar, peixe-bruxa, tubarão lanterna: espécies que vivem em águas onde a luz do sol não chega, entre 200 e 1.500 metros de profundidade.

Foi para identificar a fauna marítima de uma área remota dos oceanos que, durante dois anos, pesquisadores da USP fizeram expedições em dois pontos a 200 km da costa brasileira.

“A gente descobriu duas espécies de peixes que foram descritas: um peixe chamado sciadnonus alphacrucis, que a gente homenageou um navio, e outro peixe chamado polymixia carmenae”, conta Marcelo Melo, professor do Instituto Oceanográfico da USP.

Usando redes de pesca resistentes, com sensores, os cientistas também encontraram o que não deveria estar no fundo do mar: sacos plásticos, restos de tinta de navio, embalagens de alimentos com data de fabricação dos anos 1990, latas de refrigerante e cerveja de oito países – algumas fabricadas há 50 anos -, brinquedos, sapatos, roupas e até a garrafa de um remédio de um século atrás.

“A gente deu uma pesquisada. Ela é da década de 1920, 1930, e ela realmente era usada para armazenar hemoglobina para fins medicinais”, conta a pesquisadora Flávia Masumoto.

Toda essa coleta indesejada acabou acrescentando mais um desafio à pesquisa. Agora, os cientistas estão investigando também como os resíduos afetam essas espécies que vivem nas profundezas do mar brasileiro, e os primeiros resultados já são visíveis.

“Esse lixo com o tempo degrada, e aí vira partículas menores, e essas partículas são ingeridas por outros organismos. Então, nós estamos estudando o conteúdo estomacal dos peixes e de alguns invertebrados para ver se eles estão ingerindo essas partículas, qual a quantidade e se isso está contaminando eles”, explica Marcelo Melo.

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O estudo complementa descobertas recentes. Uma pesquisa da USP, em parceria com a ONU, mapeou o litoral brasileiro e descobriu que 80% dos resíduos que chegam ao mar vem do interior, por meio de 600 “portas de acesso” – como rios.

“A água, infelizmente, também leva muito resíduo que vem também da costa, atividade turística. Acabe se afastando, indo para mais longe, para as águas mais profundas. Mas a gente não pode deixar de falar também de todo esse trânsito marítimo, que é o comércio mundial navegando aí pelo oceano como um todo, e acontece de cair resíduos, de cair carga”, diz Gabriela Otero, gerente do Pacto Global da ONU.

Quem zela pelos oceanos diz que é preciso uma ação ampla para mudar esse cenário.

“Você tem desde infraestrutura que falta nas cidades, condições geográficas. E aí nós temos que juntar muitos atores: o setor privado – que precisa estar junto -, governos, comportamento de sociedade, empresas de infraestrutura. Porque é uma equação que, se não tiver todos os componentes, não fecha”, explica Gabriela.

“Uma coisa que é essencial é fazer uma parte de educação ambiental, tanto nas pessoas que moram, despejam lixo próximo ao litoral, nas prefeituras, quanto essa parte também de educação, fiscalização, das embarcações que frequentam essas regiões. Para que as pessoas se conscientizem que o mar não é um lixão onde o lixo deve ser despejado”, diz Marcelo.

Fonte: G1.

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