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Repensando o Lixo

Repensando o lixo

Repensando o Lixo

Por: GABRIELA MAULIM

Em 2022, O Brasil produziu 81,8 milhões de toneladas de resíduos em áreas urbanas, o que representa 224 mil toneladas de lixo por dia. Em média, cada brasileiro gerou 381 kg por ano, ou seja, mais de um quilo de lixo por dia. Os dados são do último Panorama dos Resíduos Sólidos do Brasil, levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) que expõe um tema delicado: a necessidade de repensar os hábitos cotidianos relacionados à produção de lixo.

A situação fica ainda mais crítica quando a pesquisa analisa cada região do país.

Em suma o Sudeste, por exemplo, foi o responsável por quase metade – 49,7% – do lixo produzido no Brasil, com mais de 40,6 milhões de toneladas.

Portanto uma das soluções mais efetivas para diminuir o problema é a adesão à coleta seletiva, como aponta o vereador Marcos Papa.

“Coleta seletiva é fundamental para toda cidade que tenha responsabilidade social, ambiental e econômica, uma peça-chave para a sustentabilidade da cidade”, explica Papa, alertando, ainda, que os resíduos são o segundo maior emissor de Gases do Efeito Estufa (27%), segundo o levantamento SEEG Municípios.

Apesar da sua relevância, a coleta seletiva está inativa em Ribeirão Preto, segundo Papa. “Temos apenas uma cooperativa, que recebe 0,3% da coleta geral. Mesmo tendo crescido, temos apenas seis ecopontos para 700 mil habitantes. Estamos bem longe de ser uma cidade lixo zero ou de cumprir metas dos ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis da Agenda 2030 da ONU. Ribeirão está no vermelho no assunto da recuperação de resíduos sólidos urbanos coletados seletivamente. Precisamos melhorar a gestão dos resíduos, além de reduzir a geração de lixo, para que possamos caminhar para uma cidade sustentável e resiliente”, enfatiza.

Repensando o Lixo

Atuando há cinco anos na cidade, o Coletivo Lixo Zero Ribeirão Preto realiza um trabalho com o objetivo de mobilizar a sociedade para a reflexão sobre consumismo, não geração e destinação adequada de resíduos sólidos.

“O lixo polui a natureza, causa danos aos animais, entope bueiros, causa enchentes, transmite doenças e emite gases do efeito estufa. Na nossa cidade, além do lixo já ser um grande problema, a gestão de resíduos é o segundo setor que mais emite gases do efeito estufa, que impactam diretamente nas mudanças climáticas”, comentam as integrantes do coletivo, Michelle Nahas, Mariah Campos, Marília Vendrusculo, Beatriz Buccioli e Mariana Reis.

Então a sensibilização sobre os impactos do lixo na sociedade, para uma mudança de postura do poder público e da população, são a direção a ser seguida, segundo Papa e o Coletivo Lixo Zero. Como fazer isso? “A população pode fazer sua parte aplicando os ‘7Rs’: Repensar, Recusar, Reduzir, Reparar, Reutilizar, Reciclar e Reintegrar”, explica o vereador.

“É urgente repensar nossos hábitos, a relação com o consumo e o impacto que geramos no mundo individualmente. As empresas podem somar esforços com a população e implantar projetos relacionados ao tema. Se todos fizermos nossa parte, podemos aos poucos transformar esse triste cenário”, afirma. “Sempre reforçamos que a causa ambiental precisa ser pensada em nossa vida pessoal, na sociedade e na política”, complementam as integrantes do coletivo.

Entre as melhorias propostas para Ribeirão Preto estão:

  • coleta seletiva,
  • apoio e investimento às cooperativas existentes, com EPIs, apoio técnico e financeiro;
  • sensibilização da população, condomínios e empresas;
  • apoio a iniciativas que trabalham com a pauta dos resíduos;
  • penalização para grandes geradores;
  • disponibilização de mais ecopontos em espaços públicos.

“É necessário que a pauta de resíduos sólidos seja tratada com a prioridade que ela precisa para pensarmos em um futuro coerente, igualitário e sustentável”, comenta o Coletivo.

Fonte: Revide.

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