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Resíduos usina de álcool e açúcar

Resíduos viram ativos econômicos em usina de álcool e açúcar

Resíduos usina de álcool e açúcar

Por: OLMIR CIVIDINI, ALEXIA OLIVEIRA* E TAIAN BOLZAN*

O bagaço da cana-de-açúcar e a vinhaça são transformados em energia elétrica e em compostos para fertilização do solo. O resíduo vira subproduto e pode ser associado a outras práticas de sustentabilidade que colaboram na redução de emissões de gases do efeito estufa e nos impactos ambientais.

A alternativa é sustentável para as empresas produtoras de cana-de-açúcar da região mato-grossense

No município de Nova Olímpia, está localizada uma das maiores empresas de álcool e açúcar do país. Ela já faz o uso de grande parte do subproduto que chega a cerca de 1,5 milhões de toneladas por ano, capaz de fornecer energia elétrica. Essa é uma alternativa sustentável para as empresas produtoras de cana-de-açúcar da região mato-grossense.

A ideia principal, é pensar que o bagaço da cana-de-açúcar não precisa ser descartado, pois é considerado biomassa e assim pode se transformar em fontes secundárias de geração de energia. No município, a demanda de trabalho está bem ativa, o que resulta em altas quantidades do bagaço da planta.

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O diretor de uma das empresas produtoras da região, Jari de Souza, explica que o descarte da biomassa era motivo de preocupação, pois a quantidade reaproveitada era bem menor na geração de energia elétrica.

“No passado isso era uma preocupação, porque o volume aumentou e o que se utilizava na geração de energia elétrica era uma quantidade bem menor. Atualmente isso foi solucionado, porque tanto o aumento da capacidade de cogeração, como o uso na própria pecuária, tem tornado este bagaço in natura como fonte de produção de energia na empresa deles”, explica Jari.

Além disso, Jari conta que a queima do bagaço nas seis caldeiras da usina, produz energia elétrica suficiente para iluminar uma cidade de 100 mil habitantes. O processo realizado libera um vapor pelas chaminés, que não é fumaça, mas sim um sistema de jatos d’água que retêm poluentes e liberam apenas o vapor. As cinzas que sobram, são usadas nas lavouras de cana, um exemplo de economia circular.

Pesquisa visa a substituição do substrato comercial

Com aproximadamente 40 mil hectares de canavial, uma propriedade que realiza pesquisa de produção de mudas, vai produzir nesta safra, cerca de 4 milhões de mudas pré-brotadas (MPB), que melhoram a qualidade e produtividade dos canaviais. O objetivo é a substituição do substrato comercial pela composição do bagaço de cana e a torta de filtro, outro subproduto no processo da fabricação do açúcar e etanol.

A supervisora de pesquisa e desenvolvimento, Lúcia Ferreira Rezende, é quem coordena as pesquisas. Ela explica que as pesquisas ainda estão no início, mas que já vê nas análises observadas, um forte concorrente a substituição do produto comercial.

“As pesquisas estão no início, mas nós já estamos caminhando para as primeiras análises. O que a gente já pode observar, é que dessa mistura de subprodutos, uma germinação, um pegamento bem semelhante ao substrato comercial. Futuramente, o que a gente espera é a substituição mesmo”, destaca a pesquisadora.

Economia circular reduz impactos ao processo produtivo

Outro subproduto a se reintegrar ao sistema produtivo é a vinhaça, resíduo da destilação da cana-de-açúcar. Para cada litro de etanol produzido, resultam de 10 a 12 litros de vinhaça, produto rico em potássio, utilizado na fertirrigação dos canaviais, que passam por canais e estações de bombeamento, e chegam até as plantações que estão há 30 quilômetros de distância da usina.

O gerente de sustentabilidade, Caetano Henrique Grossi, destaca que esses exemplos de economia circular, pretendem reduzir o quanto possível os impactos no processo produtivo. Há alguns anos, a empresa realiza inventários de emissões de gases de efeito estufa, com o objetivo de conquistar até 2035, o status de carbono zero.

“No ano de 2022 em relação a 2021, nós diminuímos em 34% nossas emissões de gases de efeito estufa, um número que vai chegar a 2035, a ser carbono zero. É um compromisso que a gente assumiu através do Programa Carbono Neutro, do Estado de Mato Grosso”, destaca Caetano.

Fonte: Canal Rural.

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