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Empresários de Guaramirim/SC criam solução que transforma lixo em energia

Segundo dados do Instituto do Meio Ambiente (IMA), a maioria dos aterros sanitários está acima de 80% de sua capacidade.

O destino dado aos resíduos gerados pela atividade humana é uma questão cada vez mais importante. Hoje, cada brasileiro produz em média 300 quilos de lixo ao ano – e esta produção cresce uma média de 10% ao ano, com o consumo acelerado em função da retomada da economia.

Pensando em como contornar este problema de forma ambientalmente correta e economicamente viável para os municípios, os empresários Eduardo Schuster, Fernando Nielsen da Silva – ambos de Guaramirim – e Gilmar Colla, junto do engenheiro e diretor de projetos Patrick Miola, criaram uma “solução tupiniquim para um problema nacional”.

Em desenvolvimento há quatro anos, com auditorias do IMA e do Senai, o projeto da PRO Desenvolvimento Urbano e da Santer Empreendimentos busca contornar o problema do destino dos resíduos orgânicos e o do fornecimento de energia ao mesmo tempo, gerando energia termelétrica pela gaseificação do lixo.

O projeto foi pensado para usinas modulares, com capacidade de processamento de até 200 toneladas de resíduos sólidos por dia.

O dispositivo separa os gases na primeira câmara, de queima do lixo, e faz o processamento dos mesmos na segunda, eliminando para atmosfera vapor, que é usado para geração de energia elétrica.

Segundo Miola, o processo é limpo e reduz o volume de resíduos em até 97%.

“Como o lixo não é uniforme, o grau de redução de volume varia. Trabalhamos com redução das emissões e controle permanente das mesmas. Caso algo tóxico passe pela triagem e o sistema detecte a emissão de gases tóxicos, por exemplo, o processo cessa imediatamente”, explica.

O destino das cinzas resultantes desse processo está em estudo. Em cogitação está o uso delas para produção de cimento.

O sistema de gasificação de resíduos sólidos e geração de energia elétrica já recebeu destaque. Com apoio do IMA e testes em Porto União, o gaseificador do grupo foi agraciado com o Prêmio Fritz Müller da Fundação do Meio Ambiente.

Tecnologia para resolver problemas

Além das duas empresas, a WEG também tem participação no processo, fornecendo turbinas através da TGM, e painéis elétricos através da unidade Automação.

“É importante que se privilegiem neste momento de retomada do país projetos nacionais para resolver nossos problemas, sem a necessidade de importar equipamento que muitas vezes não atende nossas necessidades”, explica Schuster.

Os aterros sanitários e lixões são o destino de mais da metade do lixo gerado – e segundo Nielsen, estes espaços, além de sobrecarregados, se tornam uma fonte de contaminação dos lençóis freáticos e proliferação de insetos transmissores de doenças.

“Muitos destes aterros tem mais de 30 anos, foram feitos sem medidas de contenção, e mesmo os que tem medidas para evitar a contaminação do solo estão sendo sobrecarregados”, explica.

Além disso, destaca Schuster, o destino atualmente dado ao lixo é altamente custoso. Em média, os resíduos produzidos no país viaja cerca de 100 quilômetros antes de chegar ao seu destino final – é exatamente essa distância percorrida pelo resíduo coletado em Jaraguá do Sul, que segue para o aterro em Mafra.

Este transporte por si só pode ser mais custoso do que o valor pago pelo armazenamento dos resíduos.

“Por isso que temos a proposta de que sejam feitas usinas de processamento perto dos municípios, com redução considerável dos custos, além de oferecer aos municípios o retorno em produção de energia”, comenta Schuster.

Miola ressalta que a cultura de processamento do lixo no país tem mudado, e o tipo de destinação precisa ser repensada.

“Fora do país este tipo de processo não é novidade, mas aqui é um trabalho inovador. O destino que damos hoje resulta em grande emissão de metano, que é o principal responsável pelo efeito estufa, com participação 25 vezes maior do que o CO2”, explica.

Usinas já estão sendo negociadas

O grupo já tem planejado três usinas modelo para os próximos três anos – uma delas já em negociação com um município, que deve ser concluída dentro dos próximos 12 meses. As usinas devem servir como exemplo para a instalação de mais unidades e estudo para a forma mais viável de comercializar a inovação.

“Não é inviável que a maioria dos municípios catarinenses venham a contar com uma ou mais pequenas usinas de processamento de resíduos”, avalia Schuster. Hoje, o projeto de uma usina do tipo é orçado entre R$ 20 e R$ 42 milhões, para uma geração de até 5 MW.

Outra vantagem que vem com o trabalho é o menor armazenamento de lixo. O projeto foi pensado para armazenar material para três dias de trabalho no máximo, de forma a não acumular dejetos que poderiam servir como fonte de contaminação ou depósitos de água parada.

Fonte: OCP

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