Um país dividido pelo esgoto
Marco do Saneamento deu um salto institucional e desencadeou investimentos. Mas o ranking do Trata Brasil mostra que falta replicar a experiência das ilhas de excelência nos bolsões de atraso.
Marco do Saneamento deu um salto institucional e desencadeou investimentos. Mas o ranking do Trata Brasil mostra que falta replicar a experiência das ilhas de excelência nos bolsões de atraso.
Mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, e cerca de 90 milhões dos cidadãos do país não possuem coleta de esgoto.
Na última semana, o Instituto Trata Brasil, em parceria com GO Associados, publicou a 18ª edição do Ranking do Saneamento com foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil.
Dados do Instituto Trata Brasil mostram que, por exemplo, a capital investiu apenas R$ 8,99 por pessoa. No entanto, o ideal seria um valor cerca de 25 vezes maior. Além disso, a cidade está entre as 20 piores ranqueadas em 2026.
Seis anos após a sanção do Marco Legal do Saneamento Básico, apenas 11 das 100 maiores cidades do país alcançaram a universalização dos serviços de água e esgoto, evidenciando um cenário ainda desafiador e marcado por profundas desigualdades na infraestrutura básica.
Uma das fragilidades do sistema brasileiro é o desperdício: cerca de 40% da água captada nos mananciais se perde antes de chegar à população
Os serviços de tratamento de esgoto avançam mais devagar. Em comparação, ficam atrás dos serviços de tratamento de água e de coleta de esgoto.
O Marco Legal do Saneamento define metas importantes para o Brasil: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% deve contar com coleta e tratamento de esgoto.
Em janeiro e fevereiro, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) coletou e tratou 80,6 bilhões de litros de esgoto nas cidades em que administra o sistema de saneamento.
A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) iniciou as discussões para criar uma nova norma de referência para drenagem e manejo de águas pluviais urbanas, considerada a área mais atrasada do setor de saneamento.