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Além do lixo

Além do lixo

Especialista em limpeza urbana, Osmário Ferreira fala sobre educação ambiental, economia circular e os caminhos para cidades como Ribeirão Preto avançarem na gestão de resíduos

Por trás das sacolas descartadas nas calçadas e dos terrenos tomados por entulho existe uma discussão que vai muito além da limpeza urbana. Falar sobre resíduos sólidos é falar sobre educação ambiental, planejamento urbano e participação coletiva.

Este foi um dos temas abordados por Osmário Ferreira, ex-secretário executivo de Limpeza Urbana da cidade de São Paulo. Durante passagem por Ribeirão Preto, no último dia 23 de abril, em encontro promovido dentro do projeto Revide 40 Anos.

Após o bate-papo, Osmário concedeu entrevista à reportagem e comentou os principais desafios enfrentados pelas cidades brasileiras na gestão de resíduos.

Engenheiro civil e especialista em resíduos sólidos e sustentabilidade urbana, ele crê que os municípios precisam abandonar a lógica de apenas coletar e encaminhar lixo para aterros sanitários:

“Os resíduos têm que deixar de ser um custo para gerar valor para a sociedade. Enquanto as cidades enxergarem o lixo apenas como despesa, elas continuarão enterrando recursos que poderiam voltar para a economia”, afirma.

Para Osmário, um dos caminhos mais importantes passa pela educação ambiental contínua:

“Você tem que educar, incentivar e fiscalizar. Não existe transformação na limpeza urbana sem participação da sociedade”, comenta. Em sua visão, o descarte correto precisa começar nas residências. “O principal ponto é você cuidar do resíduo dentro da sua casa. Sem separação correta, tudo acaba virando rejeito”, diz.

Ferreira também defende o fortalecimento das cooperativas e a valorização dos catadores, que, segundo ele, devem ser remunerados não apenas pela venda dos recicláveis, mas também pelo serviço ambiental prestado:

“As cooperativas têm que ter incentivo”, destaca.

Ao falar sobre economia circular, ele defende que fabricantes, varejistas e grandes geradores de resíduos precisam participar mais ativamente do processo:

“A circularidade começa pelos geradores”, comenta.

Mesmo sem analisar especificamente a realidade de Ribeirão Preto, Ferreira avalia que a cidade enfrenta desafios semelhantes aos de grande parte dos municípios brasileiros:

“Hoje, apenas 5% é reciclado. A gente tem que evoluir para 50%”, afirma.

Ele lembra, ainda, que cidades médias possuem vantagem na mobilização da população e podem avançar mais rapidamente em ações de conscientização, reciclagem e combate ao descarte irregular.

Fonte: Revide


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