saneamento basico
solo adubado com biocarvão

Biomassa e diversidade microbiana em solo adubado com biocarvão e cultivado com cana-de-açúcar

Resumo

O biocarvão é um produto gerado a partir da pirólise de biomassa e vem sendo utilizado como corretivo de solos agrícolas. O interesse no biocarvão é por sua capacidade de sequestrar C do solo, além de promover benefícios em áreas agrícolas pelas alterações nas propriedades físicas e químicas do solo. No entanto informações da interação do biocarvão com as propriedades biológicas ainda são incipientes. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo investigar os efeitos do biocarvão sobre a comunidade microbiana e atividade enzimática do solo ao longo do tempo. Durante dois anos consecutivos, foram coletadas amostras de solo, na linha de plantio de cana-de-açúcar adubada com biocarvão. O plantio da cana-de-açúcar foi realizado, no ano de 2017, em delineamento com blocos casualizados, esquema fatorial 5 x 2, com quatro repetições, sendo cinco doses de biocarvão (0, 10, 20, 30 e 40 Mg ha-1), com e sem correção da fertilidade do solo. Foram avaliadas as atividades das enzimas β-glicosidase, fosfatase ácida, arilsulfatase, urease e diacetato de fluoresceína (FDA), além dos teores de carbono da biomassa microbiana (MBC), respiração basal do solo (SBR), carbono orgânico total (SOC), quociente metabólico (qCO2), quociente microbiano (qMIC) e índice de Shannon. Os efeitos de interação entre as doses de biocarvão e a adubação com NPK foram significativos (p ≤ 0,05) para os teores de MBC, SBR, qCO2, qMIC e índice de Shannon e para as enzimas β-glicosidase, arilsulfatase, fosfatase ácida e urease. Não se observou interação entre os fatores para o SOC e a enzima FDA. Quanto à atividade enzimática do solo, as doses de biocarvão promoveram aumento de todas as enzimas analisadas, com exceção apenas da arilsulfatase em solo com adição de NPK. Em geral, os tratamentos com fertilizante químico apresentaram maior atividade enzimática, com exceção da fosfatase ácida, independentemente da dose de biocarvão e da urease nos tratamentos com doses de biocarvão menores que 20 Mg ha-1. Quanto à atividade biológica do solo, o aumento das doses de biocarvão aumentaram a MBC, a SBR, o qCO2, o qMIC e o índice de Shannon, sendo observado os maiores valores nos solos que receberam doses intermediarias de biocarvão (10-30 Mg ha-1). As doses de biocarvão aumentaram linearmente o teor de SOC. Os tratamentos com fertilizante químico apresentaram, em geral, a maior atividade biológica do solo. Observaram-se maiores valores do índice de Shannon, de SBR e das enzimas β-glicosidase e urease no terceiro ano após a implantação do canavial nos tratamentos com adição de NPK. Concluiu-se que o uso de biocarvão pode aumentar a atividade enzimática e biológica e o sequestro de carbono no solo.

Autora: Érika Manuela Gonçalves Lopes.

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