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Cientistas alertam que as regiões dos Trópicos podem se tornar inabitáveis com aquecimento global

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Estudo mostra que grandes áreas dos trópicos terão as condições de vida e de trabalho em risco se o aquecimento global não for limitado a 1,5 graus Celsius.

Um estudo publicado na Revista Internacional Nature Geoscience sugere que cortar drasticamente as emissões de gases de efeito estufa para ficar abaixo desse limite, que é equivalente a cerca de 2,7 graus Fahrenheit de aquecimento desde 1900, ajudará os trópicos a evitar episódios de alto calor e alta umidade – conhecido como temperatura do bulbo úmido extremo, ou TW – que vão além dos limites da sobrevivência humana.

O estudo está de acordo com outras pesquisas recentes que mostram que o calor e a umidade elevados são potencialmente uma das consequências mais mortais do aquecimento global.

“Sabemos que a mudança climática está tornando o calor e a umidade extrema cada vez mais comum. E ambas reduzem nossa capacidade de viver em um determinado clima”, disse Robert Kopp, cientista climático da Universidade Rutgers que não participou do estudo.

Dr. Kopp foi autor de um estudo que descobriu que a exposição a calor e umidade extrema estava aumentando em todo o mundo. Segundo ele, uma contribuição chave deste novo trabalho foi mostrar que para os trópicos é mais fácil prever os efeitos combinados de calor e umidade, do que apenas o quão quente está.

A Sra. Zhang, junto com dois outros pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Isaac Held e Stephan Fueglistaler, analisou como a combinação de alto calor e alta umidade é controlada por processos dinâmicos na atmosfera. Eles descobriram que se o aquecimento global for limitado a 1,5 graus, a temperatura do bulbo úmido na superfície pode se aproximar, mas não exceder 35 graus Celsius, ou 95 graus Fahrenheit, nos trópicos.

Essa região, uma faixa de aproximadamente 3.000 milhas de Norte a Sul que circunda a Terra no Equador, inclui grande parte do Sul e Leste da Ásia, América Central e África Central, e é onde habitam mais de 3 bilhões de pessoas.

Acima de uma temperatura de bulbo úmido de 35°, o corpo não consegue esfriar, pois o suor da pele não consegue mais evaporar. A exposição prolongada a essas condições podem ser fatais, mesmo para pessoas saudáveis. As temperaturas de bulbo úmido mais baixas, mas ainda altas, podem afetar a saúde e a produtividade de outras maneiras.

A Sra. Zhang advertiu que o efeito de seu estudo sobre a saúde era incerto, já que ela e seus colegas analisaram apenas como as temperaturas do bulbo úmido chegariam, não com que frequência os extremos seriam alcançados ou quanto tempo durariam.

“É necessário um conhecimento completo sobre o impacto na saúde pela intensidade, frequência e duração das altas temperaturas de bulbo úmido”, disse ela.

O estudo foi publicado na revista Nature Geosciences

A meta de 1,5° de aquecimento foi a menor de duas estabelecidas pelo Acordo de Paris de 2015 entre as nações para combater as mudanças climáticas. Mas o mundo já aqueceu cerca de 1 grau desde 1900, e a capacidade de permanecer abaixo da meta está lentamente diminuindo conforme as reduções de emissões das nações, tanto alcançadas quanto prometidas, ficaram muito aquém do que é necessário.

A literatura científica já evidenciou que o aquecimento global até agora, está afetando a saúde humana indiretamente por meio de secas e quebras de safra, tempestades extremas e inundações, aumento da disseminação de certas doenças transmitidas por insetos e outros efeitos.

Mas o calor também tem efeitos diretos no corpo humano. Mesmo o calor relativamente seco pode ser suficiente para matar pessoas, como evidenciado pelas ondas de calor nos últimos anos. E a combinação de calor e alta umidade já atingiu níveis perigosos em algumas partes do mundo.

Em 2020, Raymond analisou dados meteorológicos e encontrou dois locais nos trópicos que já tiveram inúmeras ocorrências de temperaturas de bulbo úmido acima de 35 graus, e muitos locais, incluindo alguns ao longo da costa Sudeste dos Estados Unidos, que tiveram leituras de TW de 31 a 33 graus. Mas, na maioria das ocorrências, as condições extremas duraram apenas uma ou duas horas. O artigo foi publicado na Science Advances.

“Os efeitos do calor e da umidade são piores para mulheres, idosos e pessoas com doenças crônicas como diabetes e hipertensão”, disse Glen Kenny, professor de fisiologia da Universidade de Ottawa que estuda como o corpo lida com o estresse causado pelo calor.

O trabalho ou exercício gera calor e o corpo precisa dissipá-lo. Se a temperatura do ar for superior à temperatura corporal, a principal fonte de resfriamento é a evaporação do suor. Mas se a umidade chegar a um ponto onde o suor não consegue evaporar, “essencialmente o corpo vai ganhar calor”, disse Kenny, que não participou do novo estudo.

Isso estressa o sistema cardiovascular. 

“A tensão que o coração enfrenta torna-se progressivamente maior, especialmente se houver dias sucessivos de exposição ao calor”, disse ele.

Fonte: The New York Times.

Tradução e adaptação Renata Mafra

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