saneamento basico

Caracterização do consumo de água em uma universidade pública do Recife-PE

Resumo

O presente trabalho objetivou promover o diagnóstico das instalações hidrossanitárias e do consumo de água no campus da Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco, POLI-UPE. A metodologia consistiu no cadastro das instalações através de preenchimento de formulário cadastral, levantamento de patologias (mau funcionamento e vazamentos nos equipamentos), análise de dados históricos de consumo e cálculo dos Indicadores de Consumo (IC) levando em consideração a população efetiva e a área construída do campus. O cadastro mostrou que os equipamentos hidrossanitários, em sua maioria, não apresentam tecnologia economizadora de água e cerca de 20% apresentam alguma patologia, sendo necessária a implantação de um programa de manutenção preventiva das instalações. O indicador de consumo per capita médio do período estudado, 2012-2015, foi de 6,42 L/usuário/dia e o indicador por área foi de 0,72 m³/m²/ano. Verificou-se que, embora esses valores estejam em consonância com estudos realizados em outras instituições de ensino superior com características semelhantes, apenas esses indicadores não são suficientes para representar o consumo de água no campus, sendo necessário observar outros indicadores, como o índice de perdas por vazamentos e a percepção dos usuários para o uso racional da água.

Introdução

Diversas regiões do Brasil enfrentam problemas com disponibilidade e garantia do abastecimento de água potável. O Estado de Pernambuco, por exemplo, detém a menor disponibilidade hídrica per capita do país, 1.320 m³/hab/ano, o que equivale a 3,5% da disponibilidade per capita da média nacional (PERNAMBUCO, 2009). Além dos fatores climáticos e geográficos, diversos autores defendem que as principais causas da escassez hídrica nos centros urbanos giram em torno de uma gestão ineficiente e da forma como a água doce é compreendida por muitos usuários, visto que muitos a consideram um recurso infinito (BRAGA; RIBEIRO, 2001; SILVA, 2012; MELO et al., 2014).

Braga; Ribeiro (2001) afirmam que as principais alternativas para reverter o atual estado crítico englobam ações, medidas, práticas ou incentivos que cooperem para o uso eficiente da água pela sociedade sem prejudicar os atributos de higiene e conforto dos sistemas originais. Nesse sentido, a ANA; FIESP; SINDUSCON (2005) destacam os Programas de Conservação de Água (PCA), que tratam da gestão da demanda e oferta de água potável em edificações, buscando a otimização do consumo através da racionalização do uso e da utilização de água com diferentes níveis de qualidade para atendimento das necessidades.

O conhecimento das características que influenciam o consumo de água em edificações (tipologia, processo construtivo, patologias, população e condições climáticas) é imprescindível para o cumprimento das diretrizes de um Programa de Conservação de Água, além da definição de um perfil de consumo a partir de um agente consumidor, chamado Indicador de Consumo (IC), ou de outros atributos da edificação, como a área construída (SANTANA; KIPERSTOK, 2010; BANNISTER; MUNZINGER; BLOOMFIELD, 2005).

No Brasil, instituições de ensino superior (IES) já estão implantando programas de conservação de água impulsionados pela necessidade de reduzir o consumo de água e os custos. Destaca-se o Programa de Uso Racional de Água da Universidade de São Paulo (PURA-USP), que em 15 anos (1998-2013) registrou uma redução de 41% na demanda de água potável do campus, variando de 137.881 para 81.005 m³/mês (PURA-USP, 2016); o PRÓ-ÁGUA, da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (NUNES, 2000); e os Programas de Uso Racional da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar (AMORIM; DIAS; PAOLI, 2002) e da Universidade Federal da Bahia – UFBA (MARINHO; GONÇALVES; KIPERSTOK, 2014).

Em Pernambuco, a dificuldade de garantir o abastecimento de água nos centros urbanos impulsionou o surgimento de decretos que exigem a redução do consumo de água nos prédios públicos estaduais, objetivando a conservação dos recursos hídricos e a redução de custos. O Decreto Estadual 40.903 (PERNAMBUCO, 2014), por exemplo, é um marco importante, à medida que fomenta a conservação de água nas edificações públicas estaduais e institui a figura do “gestor de água”, responsável pelo gerenciamento do consumo de água no prédio sob sua responsabilidade, e por propor e acompanhar ações para a racionalização de despesas com água e saneamento. O Decreto Estadual 42.601 (PERNAMBUCO, 2016), que institui o Plano de Monitoramento de Gastos – PMG, estabeleceu como meta a redução mínima de 10% no consumo de água em relação ao ano anterior. Sendo assim, prédios públicos administrativos e educacionais do Estado vêm desenvolvendo ações para diagnóstico e controle do consumo de água em suas instalações.

Autores: Anna Elis Paz Soares; Thamiris Lessa da Silva; Simone Rosa da Silva; Luiz Gustavo Costa Ferreira Nunes e Juliana Karla da Silva.

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