Levantamento do Instituto Trata Brasil detalha os impactos positivos na saúde, no turismo e na valorização imobiliária do município.
A expansão da infraestrutura de saneamento básico em Holambra (SP) gerou um impacto positivo de R$ 278 milhões para o município entre 2013 e 2024. Os dados são do novo estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento em Holambra”.
Conduzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria. O levantamento evidencia como a ampliação do acesso à água tratada e à coleta de esgoto se traduziu em ganhos reais para a saúde pública, no meio ambiente e na economia local.
“Os avanços no saneamento têm impacto direto na qualidade de vida da população. Na prática, isso significa uma cidade mais saudável, atrativa e preparada para crescer de forma sustentável. Os resultados atuais são consequência de uma combinação de planejamento, investimentos contínuos e gestão especializada dos serviços”, destaca Fernando Capato, prefeito de Holambra.
De acordo com a pesquisa, o período entre 2000 e 2022. Marcou a inclusão de aproximadamente 8,6 mil habitantes no sistema de abastecimento de água e de 8 mil moradores na rede de esgoto. Desde 2016, a gestão desses serviços está sob a responsabilidade da Águas de Holambra, concessionária do grupo Aegea, cuja atuação tem sido determinante para a consolidação desses indicadores.
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O marco da universalização urbana
A economia do município teve reflexos diretos da melhoria contínua do saneamento, em frentes fundamentais. Na área da saúde pública, a redução nas internações e nos afastamentos por doenças de veiculação hídrica e respiratórias na rede do SUS gerou uma economia de aproximadamente R$ 6 milhões. Paralelamente, a consolidação da infraestrutura impulsionou a saúde do trabalhador e a sua produtividade, o que resultou em ganhos estimados em R$ 17,2 milhões no período.
O mercado imobiliário e o turismo também sentiram os reflexos positivos. A presença de redes de água e esgoto adicionou cerca de R$ 1,9 milhão à renda dos proprietários de imóveis. Além disso, a despoluição dos corpos hídricos decorrente do tratamento adequado dos efluentes injetou R$ 431 mil no setor turístico ao longo dos anos analisados.
Um dos grandes destaques do processo é a marca atingida nas áreas urbanas da cidade: atualmente, 100% do esgoto coletado é tratado pela concessionária. Para o holandês Petrus Weel, que vive no município desde 1963 e atua no Comitê de Bacias PCJ e no Conselho Municipal de Meio Ambiente, o impacto vai além das estatísticas.
“O saneamento é importante para a vida das pessoas, para o meio ambiente e para a economia. O país todo conhece Holambra, mas o que seria da cidade, da produção de flores e do mercado de trabalho sem água de qualidade e tratamento de esgoto? Sem água, Holambra não faz nada”, enfatiza.
Manter esse patamar de excelência, no entanto, é um desafio contínuo. Daniel Mantovani, diretor-presidente da Águas de Holambra, ressalta a necessidade de visão estratégica:
“Sustentar a marca de 100% de esgoto urbano tratado exige planejamento de longo prazo e investimentos contínuos. O objetivo é assegurar que a infraestrutura continue funcionando como um vetor essencial de desenvolvimento, valorização e saúde pública.”
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Desafios rurais e os próximos passos
Apesar do cenário urbano consolidado, o estudo apresenta dados relacionados às áreas rurais, localidades que atualmente não integram o perímetro de concessão. Em 2024, estima-se que cerca de 3 mil pessoas ainda viviam em residências sem acesso à água tratada, com um número semelhante de moradores desassistidos pela coleta de esgoto nessas regiões.
“O principal desafio agora é expandir os serviços para as áreas rurais do município, o que exige novos investimentos e soluções adaptadas. O objetivo é avançar rumo à meta prevista no Marco Legal do Saneamento até 2040, garantindo que toda a população tenha acesso aos serviços com qualidade e regularidade”, projeta Capato.
Para manter a trajetória de desenvolvimento, o estudo estima que o plano de expansão gere R$ 25,2 milhões em novos benefícios socioeconômicos. Além disso, a manutenção da eficiência dos serviços garantirá ganhos adicionais permanentes estimados em mais de R$ 21 milhões ao longo do tempo.
“Os resultados do estudo demonstram o papel da infraestrutura como um motor de desenvolvimento e, como legado para a cidade, esse acesso pleno deverá perpetuar benefícios a longo prazo”, conclui Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.
Fonte: Trata Brasil