saneamento basico

Avaliação da estrogenicidade e ecotoxicidade aguda em amostras de sedimento do canal do Cunha (Rio de Janeiro, Brasil)

Resumo

Os desreguladores endócrinos são substâncias exógenas que provocam distúrbios na função hormonal e efeitos agonistas e antagonistas na saúde de um organismo ou sua descendência. Esses micropoluentes podem ser naturais ou sintéticos e atingem o meio ambiente, principalmente, pelo despejo de esgoto in natura. Essas substâncias são responsáveis por causar anomalias no sistema reprodutivo de animais e humanos, tais como câncer, redução na quantidade de esperma, infertilidade, feminização de algumas espécies entre outros, mesmo em baixíssimas concentrações (μg L-1 e ng L-1) no ambiente aquático. A área de estudo foi o canal do Cunha que faz parte da bacia hidrográfica da Baía de Guanabara localizada na zona norte da cidade do Rio de Janeiro em uma região com alta densidade populacional e com a presença de algumas indústrias. O presente estudo teve como objetivo avaliar a presença de atividade estrogênica e a toxicidade aguda nos sedimentos do canal do Cunha. Os resultados mostram um nível elevado de toxicidade nos sedimentos em todos os pontos de coleta. O valor máximo de EQE2 encontrado foi de 17 ng g-1.

Introdução

A sub bacia hidrográfica do Canal do Cunha é uma das principais responsáveis pelo lançamento de grande volume de resíduos sólidos e esgoto na Baía de Guanabara (PEREIRA, 2012). Há problemas gravíssimos acumulados ao longo do tempo nessa região, como a poluição causada pelo antigo aterro sanitário do Caju, a proximidade da refinaria de Manguinhos e a intensa ocupação de suas margens. Segundo Amaral (2006), a sub bacia conta com 133 favelas e 24 loteamentos clandestinos ou irregulares dos 7.015,99 hectares que ocupa somente 415,43 hectares são áreas naturais. Com uma ausência maciça de vegetação, forma-se uma imensa ilha de calor sobre a região, que é aliviada pelas constantes trocas propiciadas por sua proximidade com a Baia de Guanabara.

O termo micropoluentes vem sendo empregado na literatura em referência aos poluentes encontrados no ambiente em baixíssimas concentrações e que oferecem sérios riscos aos seres vivos (YOON et al., 2010). Esses compostos incluem produtos farmacêuticos e de higiene pessoal, hormônios naturais e sintéticos, subprodutos industriais e drogas ilícitas (RODIL et al., 2012).

A grande dificuldade de determinar a forma como esses micropoluentes atuam em amostras ambientais suscitou o desenvolvimento de metodologias analíticas para identificar e quantificar essas substâncias em matrizes ambientais complexas. Desta forma, para melhor compreensão dos efeitos potenciais dos micropoluentes ocorreu uma demanda por métodos de ensaios biológicos in vitro e in vivo para identificar os efeitos de uma grande variedade de substâncias naturais e sintéticas presentes no meio ambiente. (SODRÉ et al., 2010).

O interesse da comunidade científica sobre essa classe de contaminantes presentes no meio ambiente advém do potencial de seus efeitos adversos na saúde dos seres humanos e de animais. À esses contaminantes são atribuídos efeitos cancerígenos, alterações crônicas no desenvolvimento e na reprodução de várias espécies, perturbação nos sistemas cardiovascular e no neuroendócrino de acordo com Waye et al. (2011).

O objetivo do estudo foi analisar a presença de atividade estrogênica e ecotoxicidade em sedimentos do Canal do Cunha, contribuindo para o entendimento do nível de contaminação nesta área e discutir os dados para avaliação dos níveis de contaminação e sua correlação com as influências antropogênicas e os danos para a população da sub baciada e a sua contribuição na poluição da baía de Guanabara. Os ensaios ecotoxicológicos são de suma importância para o estudo de contaminação do sedimento, pois essa matriz tem a capacidade de acumular poluentes já que podem ser um testemunho dos impactos sofridos pelo ambiente ao longo dos anos (ARAÚJO et al., 2006; ESTEVES, 1988).

Foi realizado um estudo para avaliação do nível da estrogenicidade dos sedimentos coletados no canal, assim como, a avaliação do estudo ecotoxicológico na região através de ensaios agudos com a bactéria (Aliivibrio fischeri). Para análise da atividade estrogênica pelo ensaio YES (Yeast Estrogen Screen), foram utilizadas duas metodologias de extração nas amostras de sedimento.

Autores: Rejany Ferreira dos Santos; Giselle Gomes; Louise Felix; José Baptista Neto e Daniele Maia Bila.baixe-aqui

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