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Reciclagem de liners de figurinhas da Copa movimenta indústria

Reciclagem de liners de figurinhas da Copa movimenta indústria

A Polpel, única empresa no Brasil especializada na reciclagem de liners — o papel revestido de silicone que sobra após colar figurinhas. Projeta processar duas toneladas do material durante a Copa do Mundo de 2026, volume quase dez vezes superior às 230 quilos registrados na edição de 2022. O salto reflete a adesão de grandes companhias, como a Natura (NATU3), e uma campanha viral nas redes sociais que mobilizou pessoas físicas a enviarem os resíduos diretamente para a recicladora, localizada em Guarulhos (SP).

Segundo Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel, a empresa observa um crescimento exponencial na oferta de liners em anos de Copa, impulsionado pelo álbum de figurinhas. O material, de difícil reciclagem convencional devido à camada de silicone, ganhou nova destinação graças a um processo artesanal desenvolvido pelo cofundador Daniel Lauzid há 13 anos. Atualmente, a recicladora recebe resíduos de parceiros corporativos de quase todo o Brasil, mas a campanha deste ano ampliou o alcance para consumidores finais.

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Parceria com Natura impulsiona coleta de resíduos

A Natura integra o esforço por meio de seu programa de logística reversa, instalando pontos de coleta em lojas físicas. Clientes que entregam os liners acumulam cupons de desconto, o que incentiva a participação. Sérgio Talocchi, gerente sênior de Cadeias Sustentáveis da empresa, explica que a iniciativa transforma um desafio socioambiental em oportunidade de negócio, especialmente porque o liner das figurinhas não é amplamente reciclado no país.

Além da Natura, centenas de colégios, shopping centers e outras empresas aderiram ao movimento, segundo Alves. A mobilização ganhou força com um vídeo da influenciadora Dani Skarb, que ensinou o descarte correto e sugeriu que as pessoas se organizassem para enviar os papéis à Polpel. A publicação gerou engajamento em todo o Brasil, com escolas e companhias marcando a influenciadora em publicações sobre a coleta.

Desafios técnicos e escala da reciclagem de liners

O liner é um material de difícil reciclagem por dois motivos principais: a alta resistência do papel e o revestimento de silicone, que impede o processamento normal. No Brasil, cerca de 3,8 mil toneladas de liner são descartadas por mês, o equivalente a 75% de todo o volume da América Latina, de acordo com a Alexander Watson Associates (AWA). Desse total, apenas 350 toneladas são recicladas, ou seja, menos de 10%.

A Polpel desenvolveu um método próprio para tratar o material, transformando-o em uma manta de celulose que serve de base para novos papéis. O processo segue o modelo de economia circular: o liner reciclado retorna às empresas parceiras em outros formatos, como embalagens. Na Natura, por exemplo, o resíduo vira matéria-prima para novas caixas e envelopes.

Campanha viral e engajamento social

O vídeo de Dani Skarb, que tem filhos em idade escolar, viralizou ao unir dois temas de forte apelo popular: Copa do Mundo e meio ambiente.

Além disso, a influenciadora afirma que não imaginava o alcance da iniciativa. No entanto, passou a ser marcada diariamente em dezenas de publicações de escolas e empresas que aderiram à coleta.

Por sua vez, a Polpel decidiu canalizar o lucro obtido com a reciclagem dos liners para o Graacc, entidade de apoio a crianças com câncer. A campanha seguirá em vigor até 10 de agosto.

Dessa forma, a ação ampliou o engajamento de escolas, empresas e da sociedade. Ao mesmo tempo, reforçou a importância da reciclagem e da destinação correta dos resíduos.

Alves destaca a surpresa com a disponibilidade das pessoas em colaborar quando a causa é justa. Além dos liners de figurinhas, a empresa tem recebido consultas sobre o descarte de restos de etiquetas e papel contact, o que indica potencial para expandir o serviço. A recicladora, que antes dependia exclusivamente de parcerias corporativas, agora vê um fluxo significativo vindo de pessoas físicas, ampliando seu impacto ambiental e social.

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Economia circular: do liner à embalagem

Empresas como a Natura utilizam a manta de celulose produzida pela Polpel para fabricar novas embalagens. Dessa forma, o resíduo que antes seguia para aterros ganha valor econômico e contribui para reduzir o impacto ambiental. No entanto, a escala do projeto ainda é modesta diante do volume total de liner descartado no Brasil, o que evidencia oportunidades de expansão para o setor de reciclagem especializada.

Com a projeção de duas toneladas em 2026, a Polpel espera não apenas aumentar sua capacidade, mas também inspirar outras empresas a adotarem práticas semelhantes. A campanha com o Graacc, além de gerar benefício social, fortalece a imagem da recicladora e demonstra como a união de agentes privados, influenciadores e consumidores pode acelerar a transição para uma economia mais circular.

Fonte: SpaceMoney

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