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Recirculação do concentrado de osmose reversa em aterros sanitários uma leitura técnica do estudo de Džolev e Vujić sobre geração de biogás

Recirculação do concentrado de osmose reversa em aterros sanitários: uma leitura técnica do estudo de Džolev e Vujić sobre geração de biogás

O artigo científico “Impact assessment of concentrate recirculation on the landfill gas production”, de autoria de Nikola M. Džolev e Goran V. Vujić, foi publicado em 2016 no periódico internacional Thermal Science, volume 20, nº 4, páginas 1283–1294, com DOI 10.2298/TSCI160401137D.

Trata-se de um trabalho relevante para o setor de resíduos sólidos, saneamento ambiental e tratamento de lixiviados. Pois avalia, em escala real, os efeitos da recirculação do concentrado gerado por osmose reversa sobre a produção de gás de aterro.

O mérito central do estudo está no fato de os autores analisarem uma questão operacional concreta: o que fazer com o concentrado da osmose reversa após o tratamento do chorume. Em muitos aterros sanitários, gestores e operadores consideram esse concentrado apenas um passivo de difícil gestão, em razão da elevada carga salina, da presença de matéria orgânica recalcitrante e do acúmulo de compostos concentrados.

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O artigo, contudo, propõe uma abordagem mais ampla, avaliando se sua recirculação no maciço de resíduos pode influenciar positivamente a geração de biogás e metano.

A pesquisa foi desenvolvida no aterro sanitário de Bijeljina, na Bósnia e Herzegovina. E estruturada em três grupos de medições:

  • Ensaios laboratoriais para determinar o potencial de geração de gás e metano a partir do lixiviado e do concentrado;
  • Análises de DQO e DBO5 em diferentes pontos do sistema de tratamento;
  • Medições em campo da qualidade e quantidade do gás coletado nos poços de captação do aterro.

Os resultados indicaram evidência clara de que a recirculação do concentrado pode aumentar localmente a vazão de gás de aterro e a concentração de metano no poço próximo ao ponto de recirculação.

Esse é um achado importante, pois demonstra que o concentrado não deve ser tratado apenas como rejeito. Mas como uma corrente que, sob condições controladas, pode participar da dinâmica bioquímica do aterro. Favorecendo a umidade, a redistribuição de matéria orgânica e o processo de metanogênese.

Outro aspecto positivo do artigo é sua abordagem pragmática. Os próprios autores reconhecem que, embora o efeito local tenha sido significativo quando comparado ao potencial teórico do concentrado, o impacto global sobre todo o aterro foi limitado.

Os pesquisadores observaram esse resultado porque os volumes recirculados representavam uma parcela pequena em relação ao porte do aterro. Além disso, o concentrado apresentava potencial orgânico relativamente reduzido.

Com base nesses dados, os autores chegaram a uma conclusão tecnicamente madura, evitando generalizações. Dessa forma, demonstraram que a recirculação pode trazer benefícios em determinadas condições, mas não deve ser considerada uma solução universal nem aplicada automaticamente a todos os cenários.

A contribuição mais importante do estudo está justamente nesse equilíbrio. Ele mostra que a recirculação do concentrado pode gerar benefícios operacionais e energéticos, mas depende de critérios rigorosos de projeto, monitoramento e controle.

Entre os fatores críticos estão a distribuição homogênea da umidade no maciço, o controle de condutividade elétrica, pH, DQO, DBO5, sais, metais e compostos recalcitrantes.

Além da existência de sistema eficiente de drenagem, impermeabilização, captação de biogás e monitoramento ambiental.

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Recirculação do concentrado de osmose reversa em aterros sanitários: uma leitura técnica do estudo de Džolev e Vujić sobre geração de biogás

Para o contexto brasileiro, o artigo é especialmente relevante. O país possui crescente utilização de osmose reversa no tratamento de chorume, mas ainda enfrenta grandes desafios na gestão do concentrado.

A leitura de Džolev e Vujić qualifica esse debate ao demonstrar que operadores podem adotar a recirculação como uma alternativa tecnicamente defensável em determinadas condições, desde que não a utilizem como simples expediente de descarte ou transferência de passivo ambiental.

A aplicação dessa estratégia exige aterros bem projetados, operação tecnicamente assistida, controle geotécnico, balanço hídrico, monitoramento do lixiviado, avaliação da estabilidade biológica do maciço e sistema confiável de aproveitamento ou queima do biogás.

Em aterros precários, mal impermeabilizados, sem controle adequado de drenagem ou sem captação eficiente de gases, a recirculação do concentrado pode ampliar riscos ambientais, aumentar a salinidade do lixiviado, dificultar o tratamento posterior e agravar passivos.

Portanto, o principal valor do artigo está em demonstrar que os profissionais do setor não devem analisar o concentrado de osmose reversa de forma simplista. Eles não podem tratá-lo apenas como um resíduo a ser descartado nem considerá-lo, automaticamente, uma solução para geração de energia.

Na prática, o concentrado constitui uma corrente técnica complexa. Por isso, operadores e gestores podem integrá-lo à operação de aterros sanitários modernos somente quando aplicam critérios científicos, ambientais e operacionais rigorosos. Dessa forma, conseguem avaliar adequadamente seus benefícios, limitações e impactos potenciais.

Em síntese, o estudo de Džolev e Vujić representa uma contribuição relevante para a engenharia ambiental aplicada à gestão de lixiviados. Ao avaliar a recirculação do concentrado em escala real, os autores ajudam a deslocar o debate de uma lógica meramente passiva — de disposição do rejeito — para uma perspectiva mais estratégica, vinculada à otimização do aterro, geração de biogás, recuperação energética e economia circular.

Para empresas e gestores públicos, a principal lição é clara: a recirculação do concentrado pode ser uma alternativa tecnicamente interessante, mas somente quando inserida em um modelo robusto de aterro sanitário, com controle ambiental, segurança operacional e monitoramento permanente.

LEIA NA ÍNTEGRA

Autores: Nikola M. DŽOLEV e Goran V. VUJIĆ – University of Novi Sad, Faculty of Technical Sciences, Department of Environmental Engineering and Occupational Safety, Novi Sad, Serbia

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