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Investimento Drenagem Cidades

Falta de investimento em drenagem põe cidades em risco

Investimento Drenagem Cidades

Por Luana Pretto

As metrópoles brasileiras enfrentam um paradoxo perverso: concentram riqueza e tecnologia de ponta, mas muitas vezes têm enormes deficiências nos sistemas de drenagem urbana e manejo de águas pluviais.

Entre 1991 e 2023, o Brasil registrou quase 26 mil eventos hidrológicos de desastres, provocando a morte de 3.464 pessoas e acumulando prejuízos superiores a R$ 151 bilhões.

Esses números, por si sós, revelam a urgência de mudar a forma como o país encara a gestão da água da chuva, sobretudo quando se observa que 94,7% dos municípios ainda não têm sequer Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais, essencial para dirigir ações e investimentos e prevenir tragédias como essas.

O desafio dos grandes centros urbanos é aliar crescimento acelerado com a devida infraestrutura de saneamento básico, que, infelizmente, é frequentemente negligenciada. É aquele velho ditado segundo o qual “obra enterrada” não dá voto.

A maior prejudicada pela falta de planejamento é — como sempre — a população. Se a drenagem e o manejo de águas pluviais não são prioridade, cada chuva forte vira uma tragédia. Essa notícia pode ser de 2025 ou de 1966, ano em que a cidade viveu uma de suas maiores enchentes. Com mais de 50 mil desabrigados.

Quase 60 anos depois, grande parte da população carioca segue exposta a situações como essa, sem saber se será nesta ou na próxima tempestade que perderá tudo.

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Portanto o acesso inadequado ao saneamento afeta de maneira profunda e cotidiana a vida dos mais vulneráveis. Especialmente os que vivem em áreas de alagamento e encostas. O crescimento desordenado, a impermeabilização do solo, a falta de coleta de esgoto e a ausência de manejo de águas pluviais expõem essas comunidades ao risco elevado de doenças como diarreia, dengue, leptospirose e hepatite A, que se espalham facilmente em ambientes insalubres.

Além dos problemas de saúde, as moradias, muitas vezes frágeis, sofrem danos em períodos de chuva intensa. Com deslizamentos de terra e invasão de águas contaminadas, destruindo o pouco que essas famílias possuem. Portanto investir em saneamento é também investir em dignidade, saúde e oportunidades para quem mais precisa.

Plano Diretor

Os números revelam um abismo entre o investimento atual e o necessário para aprimorar os serviços de drenagem urbana e o manejo de águas pluviais no Brasil: entre 2017 e 2023, os recursos aplicados ficaram em torno de R$ 10 bilhões anuais — valor insuficiente diante da estimativa do Ministério do Desenvolvimento Regional, que calcula a necessidade em R$ 22,3 bilhões anuais até 2033 para cobrir o déficit histórico.

O diagnóstico também revelou que apenas 263 municípios — cerca de 5% do total — têm Planos Diretores de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais. Essenciais para o planejamento estratégico e a redução de riscos associados a eventos hidrológicos extremos.

Prefeitos têm a oportunidade de, em meio aos eventos climáticos extremos, planejar e implementar ações estruturantes que mitiguem o risco de inundações. Mas para isso, precisaremos menos de discursos técnicos complexos e mais de sensibilidade humana.

Fonte: Globo.

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