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São Paulo sem crise hídrica em 2017, diz especialista

A chegada do verão, que traz consigo um aumento substancial do consumo de água, representa a ameaça de uma nova crise de abastecimento, como a que atingiu, de forma bastante grave, o Estado de São Paulo no biênio 2013/2014. Não se pode duvidar de que sempre existe o temor de que essa situação se repita, o que não parece ser o caso para 2017, na opinião do professor José Galizia Tundisi do Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP), especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo, em entrevista para a Rádio USP.

Segundo ele, as condições climatológicas melhoraram muito a partir da crise de dois anos atrás. Com a recomposição da precipitação, os níveis dos seis reservatórios (Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Rio Grande, Alto Cotia e Rio Claro) que abastecem a região metropolitana melhoraram bastante, atingindo níveis próximos aos normais. O aumento da segurança hídrica na região metropolitana da Capital não deve apenas a isso, todavia.

O professor Galizia lembra que, por causa da crise, foram tomadas medidas estruturais e não estruturais bastante efetivas. Como exemplo destas, ele cita a adoção de políticas para incentivo ao reúso da água e as campanhas para evitar o desperdício, endereçadas à população. No campo das medidas estruturais, deve-se citar a transposição entre bacias, ainda em andamento. Tais ações, aliadas à normalização das condições climatológicas, contribuíram para uma segurança hídrica mais confortável para o ano de 2017.

Para Galizia, é preciso prosseguir nessa direção, pois, graças a essas medidas compensatórias, “mesmo no caso de estiagem mais prolongada, teremos reservas suficientes para resistir ao processo de depressão dos volumes”.

Um outro ponto sobre o qual o especialista chama a atenção refere-se a um problema que considera recorrente que é a deterioração da qualidade da água dos reservatórios que abastecem a região metropolitana. Embora essa condição não interfira no que diz respeito ao abastecimento, o tratamento requerido para garantir a boa qualidade da água que chega à população é muito caro.

É fundamental, de acordo com o professor, monitorar de forma mais intensiva os reservatórios e, a partir daí, produzir séries históricas que vão apontar quais são as tendências de deterioração da qualidade da água, a fim de que se possa atuar nas fontes de contaminação e de minorar esse problema. “Mais do que o problema da quantidade, o problema da qualidade da água é fundamental, e temos de trabalhar para manter essa qualidade”, diz o professor Galizia Tundisi.

Foto: Wikimedia Commons
Fonte: Jornal da USP

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