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resíduos da indústria no esgoto

Despejo de esgoto piora qualidade da água em 10 anos

Imagem Ilustrativa

Despejo de esgoto – Os resultados da pesquisa de qualidade dos mananciais do Vale foram analisados na tarde de ontem na Rádio A Hora 102.9. O impacto da falta de saneamento nos Rios Taquari e Antas e em 12 arroios da região norteou o debate Viver Cidades.

Apuração feita pelo Comitê da Bacia Taquari-Antas, em 2012, apontava o saneamento como principal gargalo para poluição da água na região. Análise contratada pelo Grupo A Hora demonstra que o problema persiste

O vice-presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Taquari-Antas, Júlio Salecker, e o biólogo da empresa Global Eco – Consultoria Ambiental, Cristiano Steffens, compararam a qualidade da água verificada neste ano com um estudo feito há uma década.

As amostras são enquadradas em classe. Quanto menor a classe, menos poluído é o ponto de coleta. De acordo com Salecker, em 2012, o Comitê já diagnosticou a precariedade do saneamento como o principal causador da poluição dos rios. Os gestores desenvolveram uma estratégia para atacar o gargalo, mas as iniciativas não tiveram continuidade.

“Não foi feito nada de lá para cá. Nenhuma das ações de saneamento básico, nenhuma estação de tratamento de esgoto, nenhuma melhoria nos efluentes”, diz.

A Bacia Taquari-Antas inicia em São José dos Ausentes (RS) e compreende 119 municípios entre a Serra Gaúcha, o Vale do Taquari e a Região Carbonífera. A água que passa pela parte baixa do Vale concentra a poluição de cerca de 110 cidades. Todas elas têm características parecidas quanto a produção agropecuária e a falta de saneamento básico.

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Pior que o esperado

A expectativa do biólogo Cristiano Steffens não era animadora. Ele acompanhou as amostras coletadas pelo Laboratório Unianálises neste ano para o projeto “Viver Cidades”. Os resultados, porém, foram piores do esperado.

A análise demonstrou um cenário alarmante, em relação aos dejetos de animais, esgoto domiciliar e fertilizantes encontrados na água. Essas substâncias, conhecidas como carga orgânica, chegaram a ultrapassar em 50 vezes a perspectiva estabelecida pelos níveis de classificação da poluição das águas.

“Em uma amostra de 100 ml em um determinado ponto, chegou a 160 mil coliformes termotolerantes, sendo que a pior classe seria 3,2 mil”, constata o biólogo.

Outro destaque negativo é o oxigênio diluído na água. A defasagem do gás encontrada nas amostras aponta para a provável mortalidade expressiva de peixes em períodos de estiagem.

Esgoto urbano e dejetos no campo

O crescimento e verticalização das cidades aumenta o desafio de desenvolver o saneamento básico. Para Salecker, o aumento do consumo na última década provoca piora na qualidade dos mananciais.

“Em 10 anos, aumentamos muito a nossa população e o nosso nível de consumo. Estamos com outra qualidade de vida, consumimos mais e, isso acaba nas águas”.

O biólogo Cristiano Steffens lembra também da responsabilidade da agricultura na poluição dos rios.
“A gente percebe o fósforo, que vem dos dejetos humanos na área urbana. Na área rural, isso indica a presença dos agrotóxicos e fertilizantes.”

O descarte incorreto de dejetos e subprodutos da produção agrícola prejudica a própria indústria primária. A maioria dos pontos de coleta possui água que não pode ser usada para irrigação, dessedentação de animais e pesca.

Os debatedores convergem de que a solução é coletiva e não pode ser um empecilho para o desenvolvimento urbano ou rural. No entanto, o aumento das cidades e o crescimento da economia proveniente do campo devem ser acompanhados de práticas ambientais e pensar em um futuro sustentável.

Marco do saneamento como esperança de solução

Considerado por Júlio Salecker como “uma luz no fim do túnel”, o Marco do Saneamento Legal, instaurado em 2020, estabelece que até 2033, 99% da população brasileira terá acesso à água potável e 90% a tratamento e coleta de esgoto.

As metas são ambiciosas e difíceis de serem alcançadas. A legislação, porém, prevê multas O desrespeito às normas têm penalidades econômicas a indivíduos e empresas, que não colaborarem com o propósito de estruturar o saneamento básico brasileiro.

Carga orgânica em 23 pontos

A poluição dos mananciais é enquadrada em quatro categorias. A classe 1 indica a água mais limpa enquanto a classe 4 aponta para a água de menor qualidade.

Classe 1: Água pode ser usada para irrigação de lavouras e hortas, dessedentação animal, pesca e banho. Não há tanto risco do consumo. O tratamento é simples e barato.

Classe 2: Última categoria onde é permitida o contato secundário. Nesta classe, é permitida a navegação.

Classe 3 e Classe 4: Essas categorias têm finalidade exclusiva para paisagismo. O único contato saudável do ser humano com esses mananciais é visual.

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Fonte: Grupo a Hora.

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