saneamento basico

Brasil registra aumento de 40% na microgeração de energia em 2016

País já registra mais de 2,7 mil microgeradores individuais instalados até meados deste ano; expansão está relacionada ao forte aumento da tarifa de energia

A instalação de pequenos geradores de energia realizada por consumidores, conhecida por micro ou mini geração, está em forte expansão no País, que já registra mais de 2,7 mil microgeradoresindividuais instalados até meados deste ano. Isso corresponde a um aumento de 40% na comparação os cerca de 1,9 mil de dezembro de 2015. A estimativa é da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), que também calcula que a capacidade instalada some atualmente 27 megawatts (MW).

“Esse segmento vai explodir”, disse ao Broadcast o presidente da Cogen, Newton Duarte, estimando que o número de microgeradoresinstalados no território nacional poderia chegar a 3 mil até o fim do ano. A projeção otimista para este ano está relacionada à recente liberação para que os consumidores utilizem recursos do FGTS para instalar os geradores. “Essa disponibilidade do FGTS pode servir como estímulo maior”, disse Duarte.

Expansão está relacionada ao forte aumento da tarifa de energia nos últimos anos

Para ele, a expansão já observada neste momento está relacionada ao forte aumento da tarifa de energia nos últimos anos, em meio a um cenário de retração econômica, que motivou os consumidores a buscarem alternativas de corte de custo. “Em muitos mercados, a tarifa de energia para o consumidor atendido em baixa tensão está em R$ 600/MWh, R$ 700/MWh, até R$ 900/Mwh. Com isso, o retorno do investimento em uma microgeração se dá em 5 a 6 anos”, disse. Um projeto de microgeração custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por quilowatt instalado.
O presidente da Cogen acrescentou, porém, que outros fatores também contribuem para o crescimento do mercado, como a permissão dada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), do Ministério da Fazenda, para que os Estados concedam a isenção de ICMS nas operações com energia produzida por micro ou mini geração. “Estados como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Ceará, Tocantins, além de Minas Gerais, incorporaram essa sugestão e não estão cobrando”, disse o dirigente.

Outras ações para o fomento da microgeração também estão sendo buscadas, como o desconto no IPTU das residências e pontos comerciais que venham a instalar sistemas de cogeração. Além disso, Duarte defendeu novos avanços na regulação, permitindo, por exemplo, a possibilidade de venda do excedente produzido pelos microgeradores. “Pedimos esse aprimoramento recentemente, mas a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) entendeu que setor não estava preparado para absorver esse conceito, e isso ficou para o futuro”, disse.

A regulamentação para a microgeração é de 2012 e passou por um aprimoramento em 2015. Atualmente, os microgeradores são aqueles com potência instalada menor ou igual a 75 quilowatts (kW), e osminigeradores, aqueles cujas centrais geradoras possuam de 75 kW a 3 MW, no caso da fonte hídrica, e até 5 MW para as demais fontes. Eventuais sobras de energia não consumidas geram créditos que podem ser utilizados pelo prazo de cinco anos.

“Temos um potencial muito grande em migrogeração pela frente”, disse Duarte, salientando que com o número de sistemas e a potência instalada atuais, temos 0,1 Watt por habitante, ante 490 watts/habitante na Alemanha, 360 watts/habitante na Itália e 58 watts na China. “Na Alemanha, esse mercado se desenvolveu rápido, algo entre 10 a 15 anos. Podemos ter um quadro semelhante no País, na medida em que a energia se torna mais cara.”
O dirigente lembrou que a Empresa de Planejamento Energético (EPE) projeta que o País chegará a 2024 com 700 mil consumidores-geradoresde energia solar e uma capacidade instalada que deve alcançar 10 mil MW, somando a microgeração e os grandes parques solares.

Últimas Notícias:
Luta contra desperdício de água inclui ‘robô de Marte’ e cães farejadores

Luta contra desperdício de água inclui ‘robô de Marte’ e cães farejadores

A cada três litros de água tratada que saem de uma estação de saneamento no Brasil, um desaparece antes de chegar à torneira de alguém. Além disso, o indice médio de perdas em 2024 (39,5% segundo estudo do Instituto Trata Brasil e da consultoria Ex Ante). É o dobro do considerado aceitável e bem acima da média de 15% dos países desenvolvidos e poderia ser suficiente para resolver boa parte do déficit que ainda deixa 33 milhões de brasileiros sem acesso à água potável.

Leia mais »
Chega de tanta água jogada fora

Chega de tanta água jogada fora

Você já imaginou uma indústria perder 40% do que produz? Ficar apenas com os 60% restantes? Se uma padaria jogasse fora quatro em cada dez pães que assa, antes mesmo de abrir, todo mundo acharia um absurdo. No saneamento brasileiro, é exatamente o que acontece com a água tratada. O país perdeu quase 40% da água produzida em 2024 antes de chegar à torneira da população.

Leia mais »