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Para reaproveitar o lixo eletrônico não derreta, congele!

Moagem a frio

Para simplificar a reciclagem de resíduos eletrônicos, pesquisadores do Instituto Indiano de Ciências e da Universidade de Rice (EUA) tiveram uma daquelas ideias para nos fazem ficar imaginando: “Como é que alguém não pensou nisso antes?”

Hoje, depois de moer o material eletrônico descartado, há duas técnicas mais utilizadas, nenhuma delas muito amigável ambientalmente: métodos químicos, para lixiviar os metais mais valiosos, ou a fusão, fazendo uma espécie de destilação fracionada.

“Em todos os casos, o ciclo é de mão única, e queimar ou usar produtos químicos gasta muita energia e ainda deixa resíduos. Propomos um sistema que quebra todos os componentes – metais, óxidos e polímeros – em pós homogêneos, tornando-os mais fáceis de reutilizar,” disse Chandra Tiwary, idealizador do processo.

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Material presente em uma simples placa controladora de mouse, e que poderá ser extraída com a nova técnica de criomoagem. [Imagem: Chandra Sekhar Tiwary et al. – 10.1016/j.mattod.2017.01.015]

Física básica

Tiwary idealizou um crio-moinho, um moinho a frio. Em vez de ser derretido, o lixo eletrônico é reduzido a pó em baixas temperaturas. E isto por uma questão muito simples: Quando ficam frios, os materiais se tornam mais quebradiços e mais fáceis de pulverizar.

“Estamos tirando proveito da física. Quando você aquece as coisas, elas se tornam mais propensas a se combinar: você pode colocar metais em polímeros, óxidos em polímeros. É para isso que serve o processamento de alta temperatura, ele torna realmente muito mais fácil misturar as coisas.

“Mas, em baixas temperaturas, elas não gostam de se misturar. As propriedades básicas dos materiais – seu módulo de elasticidade, condutividade térmica e coeficiente de expansão térmica – mudam, permitindo que tudo se separe muito bem,” explicou Tiwary.

As partículas, em micro e nano-escala, são então separadas em polímeros, óxidos e metais aproveitando as mudanças em suas propriedades em baixa temperatura.

Tiwary testou seu moinho de baixa temperatura pulverizando resíduos eletrônicos – chips, outros componentes eletrônicos e os polímeros que compõem as placas de circuito impresso – e tudo funcionou conforme esperado.

O próximo passo é escalonar o processo e testá-lo em uma planta-piloto.

Bibliografia:

Electronic waste recycling via cryo-milling and nanoparticle beneficiation
Chandra Sekhar Tiwary, S. Kishore, R. Vasireddi, D. R. Mahapatra, P. M. Ajayan, K. Chattopadhyay
Materials Today
Vol.: 20, Issue 2, March 2017, Pages 67-73
DOI: 10.1016/j.mattod.2017.01.015

Fonte: Inovação tecnológica.
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